Problema na biometria facial do Jaé impede irmãos gêmeos de concluir cadastro pelo aplicativo e obriga atendimento presencial nos postos da Prefeitura do Rio.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O novo sistema eletrônico do Jaé, que substituiu o Riocard nos transportes municipais do Rio, está apresentando falhas no cadastro de irmãos gêmeos. Passageiros relatam que a biometria facial reconhece o rosto de um deles como já registrado no CPF do outro, impedindo a criação de uma nova conta no aplicativo.

Para se cadastrar no Jaé e solicitar o cartão utilizado em ônibus, BRT, VLT, vans e “cabritinhos”, é necessário realizar um processo de reconhecimento facial. No entanto, quando o segundo irmão tenta finalizar o procedimento, surge a mensagem: “Rosto já registrado para outro CPF. Entre em contato com a central de atendimento”.
Foi o que aconteceu com a estudante de Letras Vitória Elias, de 28 anos. Sua irmã já possuía conta ativa no Jaé, e o sistema identificou a foto dela como pertencente ao mesmo CPF. “Diz que meu rosto está em outra conta. Suponho que seja a da minha irmã”, relata.
Ao buscar ajuda, Vitória se deparou com outro obstáculo: o canal indicado pelo aplicativo só pode ser acessado por usuários com cadastro concluído. Após tentativas frustradas por telefone e WhatsApp, e diante da previsão de até 30 dias para uma resposta por e-mail, ela optou por ir a um posto físico do Jaé, onde o problema foi resolvido na hora.
Situação semelhante viveu a designer Kamilla Pavão, de 38 anos. Sua irmã gêmea havia se cadastrado sem problemas, mas ela recebeu a mesma mensagem de erro. “Provavelmente vou ter que ir no posto de Botafogo para resolver isso”, lamentou.
A prefeitura do Rio informou que, em casos como esses, é necessário atendimento presencial para que a equipe verifique e regularize o cadastro.
A falha na biometria afeta diretamente usuários que dependem do transporte público e pode se tornar um transtorno maior caso não seja corrigida rapidamente. Enquanto isso, irmãos gêmeos que desejam aderir ao Jaé devem se preparar para enfrentar filas nos postos de atendimento.
Jaé tem primeira semana de sucesso
O Jaé, novo sistema de bilhetagem do transporte municipal do Rio, encerrou sua primeira semana de operação exclusiva com números que chamaram atenção. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a média diária de embarques saltou de 2,5 milhões para 3 milhões após a substituição definitiva do Riocard.
O aumento foi sentido em todos os modais, com destaque para as vans, que tiveram um crescimento de mais de 350%, passando de 62,4 mil viagens registradas em 29 de julho para 286,7 mil no dia 5 de agosto. O VLT também apresentou avanço expressivo, de 35,3 mil para 53,9 mil embarques no mesmo período, um salto de 52,6%. No BRT, o número praticamente dobrou, chegando a 491,2 mil passageiros em um único dia.
Segundo a secretária de Transportes, Maína Celidonio, será necessário um mês para que a equipe conclua uma análise consistente dos dados. Embora o prefeito Eduardo Paes tenha classificado o antigo sistema como uma “caixa-preta” ao anunciar o Jaé em 2023, Maína evita adotar esse termo. Ela reforça que a prioridade, no momento, é compreender plenamente as informações para fundamentar políticas públicas.
Na primeira semana, o Jaé arrecadou R$ 35,6 milhões e registrou 1,7 milhão de passageiros únicos — 577 mil deles com gratuidade — entre os 3 milhões de embarques diários. Ao todo, 3,6 milhões de pessoas já estão cadastradas no sistema. Para a secretária, a transparência dos dados permitirá identificar padrões de uso e necessidades específicas, como locais com maior demanda de acessibilidade.
A prefeitura pretende utilizar as informações para reavaliar o pagamento de subsídios às empresas de ônibus, que poderá aumentar ou diminuir conforme a arrecadação tarifária comprovada. A Riocard, por sua vez, afirmou em nota que sempre forneceu os dados operacionais à prefeitura, inclusive sobre viagens de vans e do VLT, e rebateu a alegação de falta de transparência.
Com o Jaé, a gestão municipal busca mais controle sobre a bilhetagem e a movimentação de passageiros, prometendo disponibilizar os dados de forma pública. O desempenho inicial indica que a mudança pode transformar a forma como o transporte é administrado no Rio.