A artista visual expõe na praça do Centro Cultural Correios no Rio de Janeiro.
Por Redação – do Rio de Janeiro
O Instituto Artistas Latinas apresenta a exposição O que te separa de mim?, da artista visual carioca Patrícia Guerreiro, com curadoria de Lurdinha Piquet e co-curadoria de Francela Carrera, com abertura no de 20 de agosto, 16h às 20h no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro.

A exposição foi concebida especialmente para a praça central do edifício histórico, a mostra reúne três grandes instalações escultóricas produzidas com materiais como arame farpado, aço, concreto e espelhos, abordando de maneira poética e crítica as fronteiras que nos cercam, sejam elas físicas, sociais ou simbólicas. Foram usados cerca de 4 km de arames farpados.
Ao longo de sua trajetória, Patrícia Guerreiro tem investigado o arame farpado como matéria escultórica e linguagem simbólica. Inicialmente utilizado em obras que envolviam corpos femininos em cerâmica, uma denúncia à violência contra a mulher, o material passou a ocupar grandes dimensões em suas produções mais recentes. Agora, transborda o espaço do ateliê e assume escala monumental, dialogando diretamente com o espaço público e tensionando os sentidos de exclusão e poder.
Segundo a curadora Lurdinha Piquet, “as esculturas se erguem como muros cortantes, que ao mesmo tempo afastam e revelam. Exigem do espectador um olhar mais atento e um corpo em deslocamento. Patrícia realiza uma espécie de transmutação do material agressivo, revelando sua potência estética e crítica.”
A artista também propõe um gesto de ruptura ao incluir o espelho como elemento central da exposição, não apenas como reflexo, mas como dispositivo de confronto. Para a curadora Francela Carrera, “é no espelho que todo deslocamento profundo se inicia, porque toda transformação começa quando temos coragem de nos enxergar e, a partir disso, agir.”

O que te separa de mim?
Patricia Guerreiro denuncia as arquiteturas da exclusão, os muros da desigualdade, e aponta para a urgência de imaginarmos novos territórios de convivência, afeto e justiça.
Ao transformar materiais associados à violência e à separação em esculturas sensíveis e provocadoras, a artista nos convida a refletir: quais barreiras ainda nos separam? E o que estamos dispostos a fazer para superá-las?
– É difícil para mim escrever sobre isso, resolvi esculpir, o arame farpado que machuca também pode virar arte e ser sinônimo de liberdade – esclarece Patrícia.
A exposição é uma realização do Instituto Artistas Latinas, organização dedicada à promoção da arte feita por mulheres latino-americanas, e integra sua agenda de ações voltadas à visibilidade, crítica social e expansão de imaginários possíveis.
Sobre Patrícia Guerreiro
Patricia Guerreiro nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro. A artista se interessa por pessoas, seus anseios, histórias e crenças. Indivíduos excluídos pela objetificação e violência que, enquanto seres humanos, impomos uns aos outros diariamente nos mais diversos campos, sejam físicos ou emocionais. Sua obra aborda intervenções e interpelações no corpo que, através de limites, autorizações e obrigações, é afetado por diversos marcadores: etnia, ideologia, religião, gênero e classe social. Em sua pesquisa escultórica, a artista utiliza o arame farpado tanto como traço gestual ou como elemento cerceador, quando materializa a domesticação e a normatização do corpo feminino moldado em cerâmicas ou cimentos em formas rígidas e maleáveis, evidenciando a estratégia de controle social e ideológico imposta a ele.
Serviço
Abertura: 20 de agosto de 2025, 16h às 20h
Visitação: 21 de agosto a 27 de setembro de 2025
Local: Praça do Centro Cultural Correios (R. Visc. de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro)
Horário: Terça a sábado 12h às 19h