Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Dino trabalha para aumentar base de senadores para indicação ao STF

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Segunda, 11 de Dezembro de 2023 às 18:24, por: CdB

Tanto Dino quanto Gonet precisam ser aprovados na CCJ e depois no Plenário do Senado, para assumir os cargos aos quais foram indicados pelo presidente da República. Tradicionalmente o Senado aceita as indicações da Presidência para estes postos.


Por Redação, com BdF - de Brasília

Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga deixada por Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, tem ampliado a base de apoio no Senado para a sabatina marcada para a próxima quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Segundo o relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), Dino já teria um piso de 50 votos por sua aprovação, em Plenário.

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O ministro Flávio Dino é um dos nomes mais cotados para assumir uma cadeira no STF


— Cada um tem a própria aposta. Acredito que os indicados para o STF e para a PGR, Flávio Dino e Paulo Gonet, têm aí esse piso de 50 votos. Principalmente, Flávio Dino, que tem o piso de 50 votos e um teto de 62. Se fosse hoje, eu arriscaria 53 (votos pela aprovação) — afirmou o relator, em recente conversa com repórteres no Salão Azul, quando foram lidos os pareceres pelas indicações de Dino ao STF e Gonet para a Procuradoria-Geral da República, ambos favoráveis.

Tanto Dino quanto Gonet precisam ser aprovados na CCJ e depois no Plenário do Senado, para assumir os cargos aos quais foram indicados pelo presidente da República. Tradicionalmente o Senado aceita as indicações da Presidência para estes postos.

 

Parlamento


No caso de Flávio Dino, porém, devido aos embates que manteve com parlamentares da oposição ao longo deste ano, a indicação é tida como mais desafiadora. Parlamentares oposicionistas têm afirmado, em conversas de bastidor, que Dino não demonstrou respeito ao parlamento nas ocasiões em que compareceu ao Senado.

Em maio deste ano, por exemplo, ele chegou a ter embates acalorados com senadores da oposição durante uma audiência na Comissão de Segurança e foi criticado por alguns parlamentares por responder com ironias.

Na ocasião, ele chegou a ser questionado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre quais ações o ministério adotaria para combater o tráfico e a milícia no Rio, ao que Dino respondeu que o senador “conhecia de perto” o tema: “O senador Flávio Bolsonaro falou sobre narcomilícia, tema que ele conhece muito de perto, o casamento de milícia com narcotráfico. É claro que em relação aos CACs caçadores, atiradores e caçadores também ocorreu isso. Criminosos viraram CACs e CACs se associaram a práticas criminosas, por isso tem ocorrido as prisões", afirmou Dino na ocasião.

 

Mais discreto


Até mesmo senadores aliados têm reconhecido que o perfil de Dino é um dificultador para o diálogo com alguns parlamentares, mas lembram que o hoje ministro da Justiça tem experiência de ter passado por cargos nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, e que se ele voltar ao Judiciário ele adotará um perfil mais discreto.

Como ministro da Justiça, Dino se notabilizou por ser um dos ministros com maior exposição na Esplanada dos Ministérios, com postagens constantes nas redes sociais, muitas vezes antecipando a divulgação de ações da pasta, e concedendo várias entrevistas, além dos embates que manteve com políticos da oposição.

Agora, nos contatos com os senadores, Dino tem buscado reafirmar, sobretudo para os indecisos, que já atuou como juiz e que na função de ministro do Supremo Tribunal Federal voltará a adotar uma postura mais equilibrada.

 

Ministros


Desde que foi anunciado por Lula, Dino encaminhou uma carta a todos os 81 senadores apresentando um resumo de sua trajetória nos últimos anos, incluindo sua atuação como deputado e professor universitário. Além disso, ele tem contado com apoio de parlamentares, ministros do STF e até de advogados para defender seu nome junto aos parlamentares. A meta de Dino é conseguir se reunir presencialmente com todos os 81 senadores para defender sua indicação para a vaga.

Nomeado ministro da Justiça em janeiro deste ano, Dino foi juiz federal entre 1994 e 2006 e deixou a carreira para ir para a política. Em 2007 se elegeu deputado federal pelo PCdoB e desde então já foi senador e governador do Maranhão por dois mandatos consecutivos antes de ir para o Ministério da Justiça.

Com essa trajetória, Dino e seus aliados buscam desconstruir a imagem de combativo do ministro e mostrar que o hoje titular da Justiça sempre soube se articular politicamente e dialogar com diferentes espectros políticos e ideológicos . Em seu governo no Maranhão ele, inclusive, chegou a contar com o PP e o PSDB em sua base de apoio no Estado.

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