Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Varejo experimenta novo declínio nas vendas e contraria expectativas

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Terça, 08 de Julho de 2025 às 19:44, por: CdB

Nem o Dia das Mães, importante data para o comércio brasileiro, ajudou a impulsionar o varejo, e a leitura de maio foi a segunda no vermelho depois de as vendas terem aumentado nos três primeiros meses do ano.

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

As vendas varejistas no Brasil frustraram as expectativas e recuaram pelo segundo mês seguido em maio, dando seguimento à esperada perda de dinamismo em conjunto com a economia. O varejo registrou queda de 0,2% nas vendas em maio em relação a abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, contrariando a expectativa em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters de alta de 0,2% e marcando o resultado mais fraco para o mês desde 2023.

Varejo experimenta novo declínio nas vendas e contraria expectativas | O ímpeto para as compras por parte dos consumidores ficou perto da estabilidade, diz o IBGE
O ímpeto para as compras por parte dos consumidores ficou perto da estabilidade, diz o IBGE

Nem o Dia das Mães, importante data para o comércio brasileiro, ajudou a impulsionar o varejo, e a leitura de maio foi a segunda no vermelho depois de as vendas terem aumentado nos três primeiros meses do ano, tendo atingido em março o maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2000.

— São dois meses seguidos de queda na taxa muito perto de zero. Mas esse valor perto de zero tem viés negativo para o comércio — disse o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

 

Comparação

Além disso, “o Dia das Mães acabou não tendo um impacto muito forte para o comércio, não houve nada muito claro de influência de Dia das Mães esse ano”, acrescentou Santos. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve alta de 2,1% nas vendas, contra expectativa de avanço de 2,4%.

— O que está mais pesando agora é a alta dos juros e isso aparece no crédito à pessoa física. Esse é um elemento que fica mais claro nesses últimos dois meses — pontuou Santos.

Dados recentes vêm indicando uma desaceleração gradual da atividade econômica no segundo trimestre de 2025, conforme esperado diante da política monetária restritiva. No caso do comércio, o movimento reflete um cenário desafiador com taxa de juros alta e inflação ainda elevada, embora deem sustentação ao mercado de trabalho e à renda do trabalhador.

 

Resultados

A taxa básica Selic de juros está atualmente em 15% ao ano, com o Banco Central (BC) antecipando uma interrupção no ciclo de alta de juros e considerando que a taxa deve permanecer inalterada por “período bastante prolongado”.

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, resultados negativos foram registrados por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,1%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,0%) e Combustíveis e lubrificantes (-1,7%).

Os resultados positivos vieram de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,0%), Móveis e eletrodomésticos (2,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,7%), Tecidos, vestuário e calçados (1,1%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%).

— Com as condições financeiras adversas e boa parte do aperto monetário realizado pelo Banco Central ainda por ser sentido, esperamos que o setor perca força gradualmente ao longo do restante do ano — resumiu André Valério, economista sênior do Banco Inter.

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