Gabriel Gomes da Costa era procurado pela execução de José Antônio Lourenço durante a Operação Gelo Podre.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O traficante Gabriel Gomes da Costa, conhecido como Ratomen, foi morto na noite de segunda-feira em confronto com agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo a polícia, ele era um dos principais suspeitos pela execução do agente da própria corporação José Antônio Lourenço, o Mocotó, assassinado em maio deste ano.

De acordo com a nota divulgada pelo Core e reportada pelo portal G1, Ratomen estava armado no momento em que foi localizado pelos agentes. Ele teria reagido à abordagem e acabou baleado. Ainda segundo a corporação, o traficante chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde, mas não resistiu. Contra ele havia um mandado de prisão temporária expedido desde 3 de junho, relacionado à morte de Lourenço.
A polícia afirma que Ratomen exercia função de gerente em um dos pontos de venda de drogas da comunidade e costumava ostentar armas de fogo em postagens nas redes sociais. O Core destacou que seguirá com as investigações para prender os demais envolvidos no assassinato do agente.
Morte de José Antônio Lourenço
O policial civil José Antônio Lourenço foi morto em 16 de maio, durante a Operação Gelo Podre, que mobilizou equipes na Cidade de Deus e na Barra da Tijuca para investigar a distribuição irregular de gelo em quiosques e bares da orla. Lourenço integrava a tropa de elite da Polícia Civil, já havia ocupado o cargo de subsecretário de Ordem Pública do Rio de Janeiro e atuava como diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis.
O secretário municipal de Ordem Pública, delegado Brenno Carnevale, lamentou a perda: “Obrigado pela sua amizade e parceria. Ser humano diferenciado, profissional absolutamente íntegro e dedicado. Que Deus te receba, irmão”.
O agente também se dedicava à área privada, como fundador da consultoria Evolugis, voltada para gestão e liderança empresarial. Nas redes sociais, compartilhava momentos da vida profissional e pessoal, incluindo declarações de amor à esposa, Marcelle, e fotos com a cachorra do casal.
No dia da operação, Lourenço participava de uma ação de apoio às delegacias do Consumidor e do Meio Ambiente no cumprimento de mandados de busca. Houve confronto intenso e ele acabou baleado. Levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, passou por cirurgia, mas não resistiu.
Operação Gelo Podre
A investigação que levou à morte de Lourenço começou em fevereiro deste ano, quando fiscais coletaram amostras de gelo em quiosques da orla carioca. Dois laudos da Cedae confirmaram a presença de coliformes fecais. A partir daí, a Delegacia do Consumidor (Decon) passou a apurar as condições de armazenamento do produto, suspeitas de ligações clandestinas de energia e uso irregular de água, além de possíveis crimes ambientais e contra o consumidor.
Na operação de maio, os alvos foram uma fábrica na Cidade de Deus e uma distribuidora na Barra da Tijuca, responsáveis por grande parte do fornecimento de gelo a bares e quiosques. O secretário estadual de Ambiente, Bernardo Rossi, criticou a atuação das empresas: “A presença de coliformes evidencia falhas graves no controle sanitário. Estamos desde o ano passado fiscalizando várias empresas, algumas clandestinas, que atuam na venda de gelo, mas sem qualquer cuidado com a saúde e o ambiente. Não têm credenciamento, atuam fora da lei. Seguimos trabalhando para evitar que a população seja enganada e consuma produtos fora dos padrões sanitários”.