Guillen sugeriu, em reunião setorial nesta manhã, que a entrada em vigor da tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou o colegiado a adotar cautela, em sua reunião de julho, e interromper o ciclo de altas de juros.
Por Redação – de São Paulo
Diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), o economista Diogo Guillen adiantou, nesta sexta-feira, que a taxa básica de juros (Selic), hoje em 15%, permanecerá entre as maiores já aplicadas, no planeta, por “período bastante prolongado” a fim de trazer a inflação de volta à meta, reiterando comunicação recente da autarquia.

Guillen sugeriu, em reunião setorial nesta manhã, que a entrada em vigor da tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou o colegiado a adotar cautela, em sua reunião de julho, e interromper o ciclo de altas de juros.
— A gente optou por uma interrupção e antecipou agora continuar essa interrupção. Dada a toda incerteza, (precisamos) ter cautela. Vai ser um período bastante prolongado de taxa significativamente contracionista para levar a inflação à meta, que é o compromisso — disse Guillen.
Projeções
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu de forma unânime no mês passado manter a Selic em 15%, mencionando em sua ata que os vetores inflacionários seguem adversos, com pressões no mercado de trabalho, expectativas de inflação desancoradas e projeções de preços elevadas.
Nesta sexta-feira, Guillen reforçou a comunicação da autarquia desde o encontro, indicando que as autoridades precisam de tempo para verificar se o nível atual da taxa de juros é “apropriado” para fazer a inflação convergir para a meta — de 3%, com margem de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.
Ainda nesta manhã, o BC divulgou que os saques em cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 6,25 bilhões no mês de julho deste ano. O resultado decorre de um total de R$ 363,57 bilhões em depósitos; e de R$ 369,82 bilhões em saques no mês.
Situação
Os dados constam do Relatório de Poupança. De acordo com o documento, os rendimentos creditados em julho nas contas de poupança ficaram em R$ 6,47 bilhões. Com isso, o saldo se manteve pouco acima de R$ 1 trilhão. Em junho, os depósitos feitos em poupança estavam maiores do que os saques em R$ 2,12 bilhões. Em julho do ano passado, a situação era inversa, com os saques superando os depósitos em R$ 908,6 milhões.
No acumulado de 2025, os saques superaram os depósitos em R$ 55,9 bilhões.
Entre os motivos que levam a um cenário em que os saques na poupança são maiores do que os depósitos figura a alta da taxa básica de juros (Selic), que está atualmente em 15% ao ano.