A recente ofensiva levantou questionamentos por parte do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que não estará presente na cúpula bilateral.
Por Redação, com RFI – de Kiev
Na semana em que acontecerá o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, sobre um plano de cessar-fogo na Ucrânia, as forças russas continuam avançando rapidamente na região de Donetsk nas últimas horas.

A recente ofensiva levantou questionamentos por parte do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que não estará presente na cúpula bilateral.
Zelensky afirmou que “não há sinais de que a Rússia esteja se preparando para uma situação de pós-guerra, muito pelo contrário”, referindo-se ao encontro entre Trump e Putin, agendado para sexta-feira, no Alasca (EUA). Líderes da União Europeia enfatizaram nesta terça-feira a necessidade de os ucranianos “decidirm seu próprio futuro”.
Enquanto isso, a tensão continua na linha de frente do conflito, que começou em 2022, relata a correspondente da RFI em Kiev, Emmanuelle Chaze. Nos últimos meses, o Exército russo afirma ter anexado quatro regiões, entre elas Donetsk, no leste da Ucrânia.
O Estado-Maior do Exército ucraniano confirmou nesta terça-feira que combates estavam ocorrendo em Kucheriv Yar, uma pequena cidade na região leste de Donetsk. Há algumas semanas, a localidade ficava a vários quilômetros da frente de batalha, o que confirma o avanço russo nessa área.
Também nesta terça-feira, Volodymyr Zelensky garantiu que a Rússia estava se preparando para “novas ofensivas” na Ucrânia. “Vemos que o Exército russo não está se preparando para encerrar a guerra”, disse o presidente ucraniano no X.
Avanço mais rápido do que o normal
Em um único dia, a Rússia avançou cerca de dez quilômetros ao norte por uma estrada, de acordo com o site de análise militar DeepState, ligado ao exército ucraniano — um ritmo muito mais rápido do que o normal. Um mapa publicado pela plataforma mostra um corredor estreito agora sob controle russo, ameaçando a cidade-guarnição de Dobropillia, em Donetsk.
– Lá, haveria um avanço – explica à agência francesa de notícias RFI o general Jérôme Pellistrandi, especialista militar e editor-chefe da revista Défense Nationale (Defesa Nacional). “Esta é uma preocupação tática real para os ucranianos, pois Dobropillia está localizada no coração de Donbass e possibilitaria o acesso a Kramatorsk, que ainda está sob controle do país”, reitera.
Segundo ele, explorar esse avanço permitiria aos russos aumentar o domínio da região de Donetsk e desestabilizar a defesa ucraniana, obrigada a manter a linha de frente. “Este é um problema tático muito concreto, embora a Ucrânia tenha um déficit, principalmente em recursos humanos”, detalha Pellistrandi.
Próximos dias são “provavelmente cruciais”
O rápido avanço indica que não há nenhuma previsão de desaceleração do lado russo. O Exército de Moscou teria rompido as linhas de defesa ucranianas na tentativa de se firmar em várias localidades perto de Dobropillia, com suas unidades de infantaria e drones.
De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra, sediado nos Estados Unidos, “grupos russos de sabotagem e reconhecimento estão supostamente se infiltrando em áreas perto de Dobropillia”. No entanto, o instituto afirma que é “prematuro” descrever a manobra como um “avanço operacional” e que os próximos dias são “provavelmente cruciais”.
A Ucrânia teme que o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, nesta sexta-feira, sem a presença de Zelensky, possa resultar em um acordo que force o lado ucraniano a ceder partes de seu território à Rússia.
– Em vez de demonstrar prontidão para encerrar a guerra, os russos estão mobilizando todos os seus recursos para atacar a frente de batalha – avalia o chefe da administração presidencial ucraniana, Andriy Iermark.