Os ataques deixaram mais de 100 mil pessoas sem energia nas regiões de Poltava, Sumy e Chernihiv, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Por Redação, com Reuters e ANSA – de Kiev, Moscou
A Rússia lançou um ataque maciço de drones contra a infraestrutura de transporte de energia e gás em seis regiões ucranianas durante a noite, deixando mais de 100 mil pessoas sem energia, disseram autoridades ucranianas nesta quarta-feira.

As forças russas danificaram significativamente a infraestrutura de transporte de gás na região de Poltava e atingiram equipamentos em uma das principais subestações na região de Sumy, informou o Ministério da Energia no serviço de mensagens Telegram.
Os ataques deixaram mais de 100 mil pessoas sem energia nas regiões de Poltava, Sumy e Chernihiv, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
As principais instalações de produção de gás da Ucrânia estão localizadas nas regiões de Poltava e Kharkiv. A região de Kharkiv também foi atingida durante a noite, assim como as regiões de Zaporizhia e Donetsk, informou o Ministério da Energia.
Nas últimas semanas, a Rússia intensificou os ataques à produção de gás ucraniana e à infraestrutura de importação, apesar dos esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para acabar com a guerra na Ucrânia.
“Consideramos os ataques russos como uma continuação da política deliberada da Federação Russa de destruir a infraestrutura civil da Ucrânia antes da temporada de aquecimento”, disse o Ministério da Energia.
A Ucrânia enfrentou uma grave escassez de gás desde que os ataques de mísseis russos no início deste ano provocaram uma queda de 40% na produção.
O Ministério da Energia da Ucrânia disse na semana passada que as instalações de energia foram atacadas 2,9 mil vezes desde março de 2025.
A Rússia nega ter como alvo civis desde o lançamento de sua invasão em larga escala em fevereiro de 2022, mas diz que os sistemas de energia e outras infraestruturas são alvos legítimos porque ajudam no esforço de guerra da Ucrânia.
Rússia e Ucrânia elogiam papel de Trump na mediação da guerra
Em meio às negociações para a trégua no leste europeu, Rússia e Ucrânia reconhecem o papel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na mediação do conflito. Ao mesmo tempo, Kiev, que segue acusando Moscou de “demonstrar sinais negativos durante as negociações” para a trégua, afirmou nesta quarta-feira que prepara “os detalhes” para garantir a segurança na região.
– Apreciamos muito e esperamos que os esforços pela paz e os de mediação feitos pelos presidente dos EUA continuem. Eles são muito importantes e podem realmente ajudar a solucionar este conflito complexo e de longa data, que não foi provocado por nós – declarou hoje o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Moscou, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e que hoje suas tropas ocupam boa parte do país vizinho, também afirmou que “não quer discutir em público as garantias de segurança” para Kiev por se tratar de um tema “complexo”.
Por outro lado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, segue acusando seu homólogo russo, Vladimir Putin, de manter os ataques contra seu território em meio às negociações entre as partes.
– Infelizmente, os russos ainda enviam sinais negativos em relação aos encontros [entre as delegações] e ao desenrolar das negociações. Os bombardeios contra nossas cidades e vilarejos continuam, com novas vítimas todos os dias – escreveu Zelensky no X nesta quarta, reforçando que “uma pressão [contra a Rússia] se faz necessária”.
– Precisamos de passos concretos por parte de Moscou, passos através de uma verdadeira diplomacia – acrescentou.
O chefe de Estado de Kiev também informou que sua delegação continua “preparando a arquitetura de sólidas garantias de segurança multilaterais pela Ucrânia, com todos os parceiros envolvidos: europeus, americanos e membros da Coalizão dos Dispostos”.
– Uma área importante é o contato com os EUA, garantindo a máxima concretude nessas relações – concluiu Zelensky.