Pesquisador renomado, professor aposentado da UFRJ e fundador do NECVU, Michel Misse faleceu aos 74 anos, vítima de câncer no pulmão, deixando contribuição marcante para os estudos sobre violência e segurança pública no Brasil.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O sociólogo Michel Misse, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e referência nacional na pesquisa sobre violência, criminalidade e segurança pública, morreu na manhã desta quinta-feira, aos 74 anos. Ele estava internado no Hospital Unimed Rio, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade, desde o fim de julho, em decorrência de um câncer no pulmão.

Misse foi um dos fundadores e coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU-UFRJ), espaço de produção acadêmica que se tornou fundamental para compreender a dinâmica da violência nas grandes cidades brasileiras. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim (ES), filho de imigrantes libaneses, mudou-se para o Rio em 1967 para estudar.
Preso e torturado
Em 1972, já aluno da UFRJ, foi preso e torturado no Quartel do Exército da Barão de Mesquita, na Tijuca, por sua atuação como militante do PCdoB. Mais tarde, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Fora da vida acadêmica e política, era apaixonado pelo carnaval de rua e foi um dos criadores do bloco Maracangalha, que completou seu 24º desfile este ano em Botafogo, Zona Sul.
Michel Misse deixa a companheira, a socióloga Joana Vargas, três filhos — André, Daniel e Michel Filho — e dois netos, Laila e Tom. O corpo será cremado. Sua trajetória deixa uma marca profunda no debate acadêmico e público sobre a violência no Brasil, consolidando-o como um dos mais respeitados pensadores da área.