A CNA avalia que a medida prejudica as economias dos dois países com danos a empresas e consumidores.
Por Redação – de Brasília
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou, em nota nesta sexta-feira, a imposição pelos Estados Unidos de tarifa adicional de 50% sobre os produtos brasileiros importados. A confederação, que representa 5 milhões de produtores rurais, disse que “acompanha com atenção” a decisão do governo norte-americano.

“Esta medida unilateral não se justifica pelo histórico das relações comerciais entre os dois países, que sempre se desenvolveram em clima de cooperação e de equilíbrio, em estrita conformidade com os melhores princípios do livre comércio internacional”, disse a instituição.
A CNA avalia que a medida prejudica as economias dos dois países com danos a empresas e consumidores.
Relações
“Qualquer análise das relações entre osEstados Unidos e o Brasil, seja no campo no comércio ou dos investimentos, terá sempre que concluir que essas relações sempre serviram aos interesses dos dois países, não havendo nelas qualquer desequilíbrio injusto ou indesejável”, rebateu a instituição.
A CNA lembrou ainda que o Brasil e os Estados Unidos têm 200 anos de relações e sempre “estiveram do mesmo lado”.
“Não há qualquer razão para que essa situação se modifique”, observa a CNA. A confederação afirmou ainda que os produtores rurais brasileiros consideram que essas questões podem ser resolvidas somente em benefício comum.
“Por meio do diálogo incessante e sem condições entre os governos eseus setores privados. A economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política”, argumentou a CNA.
Exportadores
As tarifas de 50% anunciadas por Trump também tornam inviáveis as exportações de carne bovina brasileira ao mercado norte-americano, indicou nesta sexta-feira o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
Segundo o representante da indústria de carne bovina, alguns contratos de exportação de carne bovina aos EUA precisariam ser revistos por conta de tarifação adicional.
— É óbvio que os contratos estabelecidos terão que ser revistos. Com essa tarifação é inviável economicamente que o Brasil envie carne aos Estados Unidos — disse Perosa, que está nos EUA em um encontro do setor.
Indústrias
A Abiec representa empresas como JBS, Marfrig e Minerva com sede no Brasil, maior exportador global de carne bovina. O país vinha ampliando as exportações aos EUA, atualmente o segundo maior cliente das indústrias brasileiras, após a China.
Perosa, que falou em videoconferência para jornalistas em evento da Associação da Imprensa Estrangeira e da Confederação Nacional do Comércio, disse ainda que a “indústria do Brasil decidiu pausar a produção para o mercado dos Estados Unidos no momento”.
— Aguardamos as negociações, trabalhamos do lado privado até para tentar convencer o governo americano a retroceder nessa medida — resumiu.