Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Boate Kiss: condenados recorrem para reduzir penas ou reabrir julgamento

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Terça, 26 de Agosto de 2025 às 14:43, por: CdB

Advogados alegam falhas processuais e pedem reavaliação das penas aplicadas a quatro condenados pela tragédia de 2013.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) iniciou nesta terça-feira o julgamento dos recursos apresentados pelas defesas dos quatro condenados pela tragédia da boate Kiss, em Santa Maria.

Boate Kiss: condenados recorrem para reduzir penas ou reabrir julgamento | Réus da Boate Kiss apelam para diminuir sentenças ou refazer julgamento
Réus da Boate Kiss apelam para diminuir sentenças ou refazer julgamento

Os sócios da casa noturna, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Londero Hoffmann, além do vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e do auxiliar de palco Luciano Bonilha Leão, buscam diminuir as penas ou até mesmo conquistar um novo júri, informa Metrópoles.

A tragédia e as condenações

O incêndio que matou 242 pessoas e feriu outras 636 ocorreu em 27 de janeiro de 2013, quando um artefato pirotécnico acionado no palco deu início ao fogo que rapidamente se alastrou. O material inflamável do teto da boate e a falta de saídas de emergência agravaram a situação, levando a maioria das vítimas à morte por asfixia.

Após anos de disputa judicial, os réus foram condenados em dezembro de 2021 pelo júri popular em Porto Alegre. As penas variam entre 18 e 22 anos e meio de prisão:

Elissandro Spohr: 22 anos e 6 meses

Mauro Hoffmann: 19 anos e 6 meses

Marcelo de Jesus: 18 anos

Luciano Bonilha Leão: 18 anos

Caminho judicial cheio de reviravoltas

Desde o início, o caso foi marcado por idas e vindas. Em 2022, o próprio TJRS chegou a anular o julgamento por entender que houve falhas na escolha dos jurados e mudanças na acusação. No ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Dias Toffoli, atendeu a recursos do Ministério Público e restabeleceu as condenações. Em 2024, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter as sentenças e autorizar a execução das penas.

Apesar disso, as defesas insistem em contestar a legalidade do júri de 2021, alegando vícios processuais. O julgamento em curso é considerado a última oportunidade formal para revisar as decisões.

O que está em jogo

De acordo com a legislação, três cenários são possíveis: a confirmação das condenações, a redução das penas ou a realização de um novo júri. A sessão, conduzida pela 1ª Câmara Criminal Especial do TJRS, começou às 9h e deve se estender até o fim da tarde. Cada defesa tem 15 minutos para apresentar suas alegações orais.

Mais de 12 anos após o incêndio, o caso ainda mobiliza familiares das vítimas e acompanha a luta por justiça de um dos episódios mais trágicos da história recente do país.

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