Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2025

The Economist diz que Brasil passa lição de democracia aos EUA

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Quinta, 28 de Agosto de 2025 às 20:57, por: CdB

Sob o título: ‘O Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática’, o artigo afirma que o país se tornou exemplo de como enfrentar os efeitos do populismo autoritário.

Por Redação – de Brasília

A revista conservadora britânica The Economist, nesta quinta-feira, traz na capa o julgamento do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL). A reportagem aborda o início do exame acerca do processo que definirá se o réu será condenado por liderar o golpe de Estado fracassado no 8 de Janeiro, previsto para começar em 2 de setembro no Supremo Tribunal Federal (STF).

The Economist diz que Brasil passa lição de democracia aos EUA | Bolsonaro, na capa da revista The Economist
Bolsonaro, na capa da revista The Economist

Sob o título: ‘O Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática’, o artigo afirma que o país se tornou exemplo de como enfrentar os efeitos do populismo autoritário.

Bolsonaro, uma vez apelidado de ‘Trump dos trópicos’, teria liderado milhares de apoiadores e depredado as sedes dos Três Poderes, em Brasília, num episódio que remeteu à invasão do Capitólio, nos EUA.

 

Ruptura

As investigações apontaram que um general da reserva articulava um plano para anular o resultado eleitoral e que havia até conspirações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a Economist, a tentativa de ruptura fracassou não por falta de intenção, mas por incompetência de seus articuladores.

A reportagem sublinha que a experiência do Brasil contrasta com a de outras democracias. Na Polônia e no Reino Unido, partidos e líderes populistas permanecem condicionando o debate político mesmo após derrotas. Já nos Estados Unidos, sob a Presidência de Donald Trump, o país se mostra mais autoritário, corrupto e instável.

A Economist observa que, enquanto Trump interfere no Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) e ameaça cidades governadas por democratas, o Brasil busca reforçar suas instituições. O contraste fica ainda mais evidente diante das sanções impostas pelo governo norte-americano ao ministro do STF Alexandre de Moraes e das tarifas sobre produtos brasileiros. Para a revista, o impacto é limitado, uma vez que apenas 13% das exportações do Brasil têm os EUA como destino.

 

Reformas

A análise também aponta que a democracia brasileira ainda enfrenta desafios. O STF, embora seja visto como guardião do regime democrático, acumula poderes e responsabilidades excessivos — de políticas fiscais a temas culturais. Em 2024, foram mais de 114 mil decisões judiciais. Essa sobrecarga e a possibilidade de ministros atuarem como vítimas, investigadores e juízes ao mesmo tempo levantam questionamentos sobre o equilíbrio institucional.

A Constituição de 1988 também é descrita como um texto “hiperdetalhado”, que engessa ajustes fiscais e cria despesas automáticas. O Congresso, ao assumir o controle de parcela significativa do Orçamento, com as emendas parlamentares e projetos de interesse apenas dos congressistas, também contribui para limitar investimentos e prejudicar o crescimento econômico.

Apesar dos desafios, a revista avalia sinais de maturidade política do sistema brasileiro, em meio à polarização global. A maioria da população reconhece que Bolsonaro tentou se manter no poder de forma ilegal. Até governadores conservadores, que dependem do apoio de sua base para crescer eleitoralmente, criticam seu estilo de governar.

 

Privilégios

Para a Economist, esse consenso abre espaço para reformas institucionais capazes de modernizar a política brasileira e reduzir tensões. “Mesmo que as elites queiram mudanças, o Brasil ainda é um país profundamente dividido. Bolsonaro tem apoiadores fanáticos que causarão problemas, especialmente se o tribunal impor uma sentença severa”, diz a publicação.

Ainda segundo a revista, “reformar o STF e a Constituição exige que grupos abram mão do poder em prol do bem comum. É natural que eles se apeguem ao que têm — mesmo que seja apenas porque não confiam em seus inimigos. Todos querem crescimento, mas para obter mais crescimento, algumas pessoas terão que abrir mão de alguns privilégios”.

“As tensões, portanto, serão inevitáveis. Mas, ao contrário de seus colegas nos Estados Unidos, muitos dos políticos tradicionais do Brasil, de todos os partidos, querem seguir as regras e progredir por meio de reformas. Essas são as marcas da maturidade política. Pelo menos temporariamente, o papel do adulto das Américas mudou para o sul do continente”, conclui o texto.

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