Bolsonaro é acusado de liderar o golpe de Estado fracassado em 8 de Janeiro de 2022 e seu julgamento deverá chegar à fase final em outubro. Sua defesa apresentou, na noite passada, as alegações finais no processo.
Por Redação – de Brasília
Apesar da pressão administrada por Eduardo Bolsonaro, o deputado mais conhecido como ’03’, sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a opinião pública brasileira aprova a decisão que mantém o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar. De acordo com a pesquisa do Instituto DataFolha divulgada nesta quinta-feira, 51% da população brasileira aprovam a medida e 53% dos entrevistados avaliam que Moraes tem agido dentro dos limites da Lei.

A prisão domiciliar teve início em 4 de agosto, após Moraes entender que Bolsonaro violou uma das medidas cautelares impostas anteriormente — a de não utilizar redes sociais de terceiros. O ex-presidente participou por vídeo de um ato político em sua defesa.
Bolsonaro é acusado de liderar o golpe de Estado fracassado em 8 de Janeiro de 2022 e seu julgamento deverá chegar à fase final em outubro. Sua defesa apresentou, na noite passada, as alegações finais no processo.
Opiniões
De acordo com a pesquisa, 87% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento da medida e, entre eles, 30% se consideram bem informados, 42% mais ou menos informados e 15% pouco informados. Outros 4% não souberam opinar e 3% se disseram indiferentes à questão.
Apesar das ações do governo norte-americano de impor um ‘tarifaço’ ao Brasil e perseguir autoridades do Judiciário, com fortes repercussões nos planos econômico e político, 42% dos entrevistados ainda discordam da decisão de Moraes. As opiniões variam por faixa etária e região.
Entre jovens de 16 a 24 anos, o apoio à prisão domiciliar chega a 60%, embora a margem de erro nesse grupo seja maior, de até seis pontos percentuais. No Sul do país, tradicional reduto bolsonarista, a maioria (51%) vê a prisão como injusta, enquanto 43% concordam com a medida — diferença que também está dentro da margem de erro regional.
Mais sanções
Indiferente ao que pensa a maioria dos brasileiros, o deputado ’03′ voltou a abordar, na véspera, a possibilidade de os Estados Unidos sancionarem os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo repetiu o parlamentar, ambos “já estão no radar” das autoridades norte-americanas.
O congressista que deverá perder o mandato por faltar ao trabalho, por morar nos EUA, também reforçou estar pleiteando sanções contra a mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma atitude que, segundo repercutiu o ministro, “nem a máfia calabresa” adota contra seus inimigos.
No radar
Questionado sobre a possibilidade do ‘tarifaço’ impactar a vida de milhões de trabalhadores e empresários brasileiros, o deputado disse que a liberdade “vale mais que a economia”.
— Se no futuro nada for feito, talvez aí a gente tenha também o Alcolumbre e o Hugo Motta figurando nessa posição (de sofrer sanções). O que eu sei é o seguinte: eles já estão no radar, e as autoridades (norte-)americanas têm uma clara visão do que está acontecendo no Brasil e sabem que, por exemplo, o processo de anistia depende de ser iniciado pela mesa do presidente Hugo Motta — resumiu ’03′, em entrevista concedida à agência britânica de notícias BBC.