O índice, compilado pela S&P Global, chegou a 48,2 em julho, de 48,3 em junho. Embora o recuo tenha sido marginal, o índice ficou abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração pelo terceiro mês.
Por Redação, com Reuters – de São Paulo
A atividade do setor industrial brasileiro permaneceu em contração em julho pelo terceiro mês seguido, com a queda mais intensa das novas encomendas em dois anos. O fato deve-se, em parte, à perspectiva de tarifas de 50% dos Estados Unidos, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta sexta-feira.

O índice, compilado pela S&P Global, chegou a 48,2 em julho, de 48,3 em junho. Embora o recuo tenha sido marginal, o índice ficou abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração pelo terceiro mês, sinalizando nova deterioração na saúde do setor diante da perspectiva de tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras para o país a partir de agosto.
— As condições operacionais já desafiadoras no setor industrial do Brasil foram exacerbadas pelo anúncio de uma tarifa de 50% sobre as exportações para os EUA. As empresas identificaram esse obstáculo como prejudicial ao desempenho das exportações e um entrave significativo às expectativas de negócio — disse à agência inglesa de notícias Reuters a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima.
Importações
Os dados da pesquisa foram coletados entre 10 e 24 de julho, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, no dia 9, intenção de elevar as tarifas para importações do Brasil. Na quarta-feira passada, dia 30, Trump impôs a tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros.
Embora setores como aeronaves, energia e suco de laranja tenham sido poupados das taxas mais pesadas, outros como os de carne bovina ou café, dois importantes produtos da pauta de exportações do Brasil para os EUA, não foram isentados no decreto de quarta-feira.
De acordo com os dados do PMI, as empresas continuaram a reduzir a produção e os níveis de compras em julho em meio a quedas sustentadas das vendas totais e dos novos pedidos para exportação.
O volume de novos pedidos teve em julho a retração mais intensa desde junho de 2023, com os participantes da pesquisa citando com frequência a retração da demanda.
Incerteza
Os novos pedidos para exportação diminuíram acentuadamente em meio ao menor interesse dos clientes da América do Sul, do Reino Unido e dos Estados Unidos, apontou o PMI. O resultado desse cenário foi a redução da produção pelo terceiro mês seguido, com alguns entrevistados citando o aumento da incerteza do mercado.
Os volumes de compra de insumos caíram pelo quinto mês consecutivo e os níveis dos estoques também encolheram diante de custos elevados de empréstimos.
— O enfraquecimento da demanda teve um efeito dominó em todo o setor industrial, levando a novas contrações nas vendas, na produção, nos níveis de compras e nos estoques — concluiu De Lima.