Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Revista icônica dos EUA publica perfil de ‘combativo’ ministro do STF

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Quarta, 09 de Abril de 2025 às 20:33, por: CdB

Descrito pela revista como um magistrado “combativo” e frequentemente citado como “o segundo homem mais poderoso do Brasil”, Moraes tem enfrentado uma onda de ataques e tentativas de sanção nos Estados Unidos.

Por Redação, com Reuters – de Nova York, NY-EUA

A revista norte-americana The New Yorker publicou nesta segunda-feira um extenso perfil do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacando seu papel central no enfrentamento às ameaças à democracia brasileira. A reportagem foi escrita pelo jornalista Jon Lee Anderson e mostra como Moraes se tornou alvo de intensas críticas por parte da direita norte-americana, ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Revista icônica dos EUA publica perfil de ‘combativo’ ministro do STF | O ministro Alexandre de Moraes posou para o fotógrafo da The New Yorker Fábio Setti
O ministro Alexandre de Moraes posou para o fotógrafo da The New Yorker Fábio Setti

Descrito pela revista como um magistrado “combativo” e frequentemente citado como “o segundo homem mais poderoso do Brasil”, Moraes tem enfrentado uma onda de ataques e tentativas de sanção nos Estados Unidos, especialmente após decisões que determinaram o bloqueio de plataformas como o X (antigo Twitter) e o Rumble, devido ao descumprimento de ordens judiciais que visavam conter perfis extremistas.

Questionado sobre a possibilidade de sofrer sanções norte-americanas, o ministro ironizou:

— Podem colocar o Trump para falar (…), mas se eles mandarem um porta-aviões, aí a gente vê. Se o porta-aviões não chegar até o lago Paranoá, não vai influenciar a decisão aqui no Brasil — sorriu.

 

Inelegível

Sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Moraes foi categórico ao negar qualquer possibilidade de retorno ao poder por vias eleitorais. Segundo ele, a inelegibilidade de Bolsonaro já foi definida em duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as quais foram confirmadas em instâncias superiores.

— É possível que Bolsonaro seja absolvido na ação criminal, porque o julgamento (do golpe fracassado no 8 de Janeiro) está apenas começando. Mas ele tem duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por inelegibilidade. Portanto, não há possibilidade de seu retorno, porque ambos os casos já foram objeto de recurso e agora tramitam no Supremo. Somente o STF poderia revertê-los, e não vejo a menor possibilidade de isso acontecer — adiantou.

A afirmativa resume as especulações de aliados de Bolsonaro sobre a eventual reversão das sanções que o impedem de disputar eleições até 2030. Moraes também é relator do inquérito que investiga a tentativa violenta de ruptura do Estado democrático e de Direito, no episódio liderado pelo ex-mandatário neofascista, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

Pressão

O assunto passou a receber algum foco, na cena internacional, depois que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o filho ’03’ como é chamado, pedir licença do mandato e se mudar para os EUA. A decisão gerou apoio imediato de figuras do Partido Republicano, como o deputado Rich McCormick, que pediu sanções contra Moraes ao governo norte-americano com base na Lei Global Magnitsky, que permite punições a estrangeiros acusados de violar direitos humanos.

— O fato de Eduardo Bolsonaro, o deputado mais votado da história do Brasil e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ter sido forçado a buscar exílio nos Estados Unidos demonstra a alarmante deterioração da democracia no maior país da América do Sul — resumiu McCormick, na Câmara dos EUA.

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