“Vamos trabalhar para cuidar do povo com muito respeito. Boa sexta-feira!”, desejou Lula. Horas antes, o novo presidente escalou Fernando Haddad para representá-lo, no almoço anual de dirigentes dos bancos na Febraban com a presença do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Por Redação - de São Paulo
Presidente eleito, o líder popular Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou mensagem nas redes sociais, nesta sexta-feira, na qual pede que o país ‘volte à paz e a ser um país alegre’. Ele também prometeu, a partir do dia 1º de janeiro, “fazer com que o país volte a crescer, gerar empregos e distribuir riqueza e renda”.
Na reunião da Febraban, nesta sexta-feira, Haddad falou em nome do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
“Vamos trabalhar para cuidar do povo com muito respeito. Boa sexta-feira!”, desejou Lula. Horas antes, o novo presidente escalou Fernando Haddad para representá-lo, no almoço anual de dirigentes dos bancos na Febraban com a presença do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A escolha, para analistas do mercado financeiro, soou como se Lula promovesse um teste para medir a aceitação do nome do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo como o mais provável a assumir o comando do Ministério da Fazenda. A ideia é que ele faça uma dupla com o economista Persio Arida na equipe econômica do seu terceiro mandato na Presidência.
A reunião teve início às 11h, mas os presidentes dos bancos se reuniram em um espaço separado, à espera de Haddad, que se uniu ao grupo um pouco antes do meio-dia. Pouco antes, todos os executivos se sentaram à mesa. À frente de Haddad ficou o presidente do Bradesco e da Febraban, Octávio de Lazari Jr.
Apresentação
Ao lado esquerdo do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo, sentou-se o presidente executivo da Febraban, Isac Sidney, e à sua direita André Esteves, fundador do BTG Pactual. Oficialmente, Haddad representou o presidente eleito. Durante sua apresentação, o presidente do BC chegou a chamar Haddad de ministro, o que causou um certo burburinho entre os convidados.
Assim que chegou à mesa, Haddad foi cumprimentado por uma série de executivos e, em seu discurso, disse claramente que estava ali na qualidade de representante do presidente eleito. Haddad afirmou, ainda, que o próximo presidente promoverá o diálogo entre todos os setores da sociedade brasileira e promoverá, o quanto antes, a reforma tributária.
Antes de Haddad, falou o anfitrião. Em seu discurso, Sidney afirmou que se espera para a economia, de modo a se atrair investimentos ao país, que o Brasil volte a ter previsibilidade, incluindo "estabilidade macroeconômica" e destacou a necessidade de inflação baixa.
Políticas sociais
Disse ainda que, em 2023, seria importante que o Brasil se debruçasse sobre a reforma tributária.
— Temos que por fim a um modelo tributário falido. O que os bancos querem é uma economia saudável — acrescentou.
Em uma mensagem direta ao governo eleito, Sidney disse que os bancos são favoráveis à distribuição de renda, mas que é preciso que o país cresça para sustentar políticas sociais. O encontro da Febraban ocorre todo fim de ano, e voltou a ser presencial pela primeira vez desde 2019.
Resistência
Com a escolha de Haddad, o presidente eleito o credencia nos campos político e técnico para ocupar o ministério. Lula ainda planeja colocar Haddad para fazer outras “conversas” com representantes do mercado financeiro, nos próximos dias.
Apesar da articulação, Haddad sofre resistências do mercado financeiro e também do meio político do Congresso, inclusive de parlamentares do próprio PT. Barreiras que os apoiadores à escolha do seu nome no PT acreditam que podem ser superadas.
Com a ideia de Persio Arida na equipe econômica, esse caminho poderia ser pavimentado na avaliação dos defensores do nome de Haddad. Uma forma de diminuir as resistências com Arida no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Ainda nesta manhã, Lula reuniu-se com aliados em São Paulo, na tentativa de dar andamento às negociações da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Bolsa Família. Estiverão presentes o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB); a presidente do PT, Gleisi Hoffmann; o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) e o senador Jaques Wagner (PT-BA).