Segundo o presidente brasileiro, 2025 deveria ser um ano de celebração pelos 80 anos da criação da ONU, mas corre o risco de ser lembrado como o marco do colapso da ordem internacional instituída em 1945.
Por Redação – de Brasília
As tarifas escorchantes impostas pelos EUA ao Brasil ganhou repercussão internacional, nesta sexta-feira, em artigo publicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em alguns dos principais jornais do mundo, como Le Monde (França), El País (Espanha), The Guardian (Reino Unido), Der Spiegel (Alemanha), Corriere della Sera (Itália), Yomiuri Shimbun (Japão), China Daily (China), El Clarín (Argentina) e La Jornada (México). No texto, Lula faz um chamado urgente à reconstrução do multilateralismo como resposta ao avanço das guerras, das desigualdades e da destruição ambiental.

Segundo o presidente brasileiro, 2025 deveria ser um ano de celebração pelos 80 anos da criação da ONU, mas corre o risco de ser lembrado como o marco do colapso da ordem internacional instituída em 1945.
“As fissuras já eram visíveis há muito tempo”, escreveu o líder brasileiro.
Genocídio
Lula cita como exemplos a invasão ao Iraque, a intervenção na Líbia e a guerra na Ucrânia, criticando o uso recorrente da força por membros permanentes do Conselho de Segurança. E acrescenta: “a omissão diante do genocídio em Gaza representa uma negação dos valores mais básicos da humanidade”.
O presidente também denuncia a deterioração do sistema de comércio global ao afirmar que o multilateralismo comercial está sendo ameaçado por medidas unilaterais, como tarifas protecionistas, que desorganizam cadeias de valor e geram estagnação com inflação. O líder brasileiro lamenta também o esvaziamento da OMC e o abandono da Rodada de Doha.
Ao analisar os efeitos da crise financeira de 2008, Lula responsabiliza a agenda neoliberal pela decisão de “salvar os super-ricos e grandes corporações às custas de cidadãos comuns e pequenos negócios”, o que aprofundou a desigualdade social. Ele aponta que o 1% mais rico do planeta acumulou, na última década, US$ 33,9 trilhões — valor 22 vezes superior ao necessário para erradicar a pobreza no mundo.
Chantagens
Em outro momento, nesta manhã, Lula destacou que o governo tem apoio do povo brasileiro para enfrentar as sanções econômicas do governo dos Estados Unidos (EUA) e que Brasil não pode “baixar a cabeça” para as chantagens e ameaças de Donald Trump.
— Esse país não baixará a cabeça para ninguém. Ninguém porá medo nesse país com discurso e com bravata. Ninguém. E eu acho que, nesse aspecto, nós vamos ter o apoio do povo brasileiro, que não aceita nenhuma provocação — acrescentou.
Setores variados da sociedade brasileira têm criticado a medida do governo Trump de taxar todos os produtos brasileiros em 50%, incluindo organizações empresariais, de trabalhadores, meios de comunicação, do Parlamento e dos movimentos sociais.