Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Professores em greve mobilizam deputados do DF

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Quarta, 04 de Junho de 2025 às 14:28, por: Vitoria Carvalho

A greve dos professores da rede pública do Distrito Federal, que chega ao seu terceiro dia, expõe uma crise no diálogo entre o governo e os educadores, motivada por denúncias de desvalorização e descumprimento de metas educacionais.

Por Vitoria Carvalho, da sucursal de Brasília

No terceiro dia de greve dos professores da rede pública do Distrito Federal, a Câmara Legislativa se transformou em palco de resistência política e solidariedade. Parlamentares da oposição, muitos com vínculos diretos com a educação, decidiram endurecer o tom contra o Governo do DF, anunciando uma obstrução legislativa enquanto durar o movimento grevista.

A tensão, no entanto, vai além dos microfones e das cadeiras do plenário. A mobilização da categoria é resposta a um cenário que, segundo os grevistas, é de desvalorização e descumprimento de metas essenciais para a educação pública. A greve, iniciada no início da semana, ganhou ainda mais visibilidade após a decisão do Tribunal de Justiça do DF que impôs uma multa de R$ 1 milhão por dia ao sindicato da categoria (Sinpro-DF) e autorizou o corte de ponto dos grevistas, medidas duramente criticadas por parlamentares e representantes sindicais.

Professores em greve mobilizam deputados do DF | Foto: Carolina Curi/Agência CLDF
Foto: Carolina Curi/Agência CLDF

Deputados apoiam os professores

— Não é normal seguir votando projetos como se nada estivesse acontecendo, enquanto a maior categoria profissional do DF está nas ruas sendo ameaçada — afirmou o deputado Gabriel Magno (PT), professor de carreira e presidente da Comissão de Educação da Casa. Para ele, a punição judicial contra o movimento é — imoral — e sinaliza um ataque ao direito constitucional de greve.

O posicionamento foi reforçado por outros nomes da oposição. Chico Vigilante (PT) classificou a conduta do governo como autoritária:
— Em vez de buscar atalho no tribunal para reprimir trabalhadores, o governo deveria negociar com quem está na sala de aula todos os dias.

Professores sem valorização

Fábio Felix (PSOL) também não poupou críticas:
— A greve não é culpa dos professores. É de quem se recusa a sentar para negociar.

Enquanto isso, o governo ainda tenta encontrar uma saída institucional. O vice-presidente da CLDF, Ricardo Vale (PT), informou que a Mesa Diretora protocolou um pedido de reunião com o governador Ibaneis Rocha (MDB) para discutir as reivindicações. Já o líder do governo na Câmara, Hermeto (MDB), reconheceu a legitimidade das pautas apresentadas pelos professores e disse esperar um desfecho breve:

— Todos os servidores merecem ser valorizados.

Mas a realidade exposta na tribuna vai além de salários e multas. O deputado Magno trouxe à tona dados do 8º Relatório de Monitoramento do Plano Distrital de Educação, que revelariam falhas graves no cumprimento de metas assumidas pelo próprio GDF.
— É mais do que uma greve por reajuste. É um grito por dignidade e compromisso com o futuro da educação pública — pontuou.

Falta de diálogo do GDF

Do lado de fora, a greve já impacta milhares de estudantes e famílias. E, como lembrou a deputada Paula Belmonte (Cidadania):
— O governo tem que governar para todos.

Para ela, o fechamento das portas do diálogo é o reflexo de uma gestão distante da realidade dos mais de 3 milhões de habitantes do DF.

Na sessão desta terça, a cena que talvez tenha resumido o momento foi a presença da filha do deputado Max Maciel (PSOL), estudante da rede pública, acompanhando o pai no plenário.
— Ela está de greve. E está comigo aqui, porque entende que professores valorizados constroem uma escola melhor para todos — disse o parlamentar.

Impasse

Entre microfones abertos e projetos suspensos, a greve segue como sinal de um impasse que pede mais escuta e menos repressão. Afinal, como lembraram vários deputados, a base de qualquer sociedade justa começa na sala de aula. E essa, por ora, está vazia.

O Correio do Brasil acompanhará de perto a greve dos professores, trazendo uma análise aprofundada sobre as causas, reivindicações e impactos do movimento. A cobertura buscará contextualizar o cenário educacional atual, destacando os principais pontos de insatisfação da categoria, como salários, condições de trabalho e políticas públicas. A intenção é oferecer ao público uma compreensão ampla e crítica sobre as motivações da paralisação e seus desdobramentos na sociedade.

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