Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Polícia mira rede clandestina de internet ligada ao tráfico no Rio

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Terça, 05 de Agosto de 2025 às 11:32, por: CdB

As empresas atuavam com o respaldo de criminosos armados, que impediam a entrada de operadoras legalizadas.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Policiais da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) realizaram, nesta terça-feira, uma operação contra empresas clandestinas de internet associadas ao Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo as investigações, as facções dividiam áreas de atuação em comunidades da Zona Norte e da Baixada Fluminense, onde impunham controle e impediam a entrada de operadoras legalizadas. As empresas operavam com fachada regular e contavam com apoio logístico de criminosos fortemente armados.

Polícia mira rede clandestina de internet ligada ao tráfico no Rio | Agentes cumprem 17 mandados de busca e apreensão
Agentes cumprem 17 mandados de busca e apreensão

A ofensiva contra o esquema resultou na Operação Rede Obscura, deflagrada nesta terça, com o apoio de agentes do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da 38ª DP (Brás de Pina). Ao todo, os agentes buscam cumprir 17 mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos alvos, na Zona Norte e na Baixada Fluminense.

Até o momento, os policiais apreenderam um fuzil, duas pistolas, dinheiro, equipamentos eletrônicos e cabos utilizados pelas empresas. Duas pessoas também acabaram capturadas, entre elas, Rogerio Nascimento. Ele seria dono da empresa clandestina Flaquinet, que monopolizava o serviço na comunidade do Quitungo.

Denúncias

Segundo a especializada, a operação é resultado de uma investigação iniciada após denúncias e dados técnicos que indicavam a atuação irregular de provedores em comunidades sob domínio do tráfico. A apuração identificou duas empresas clandestinas: uma ligada ao Comando Vermelho, com base no Morro do Quitungo, e outra ao Terceiro Comando Puro, que opera em Cordovil, Cidade Alta e arredores.

As empresas atuavam com o respaldo de criminosos armados, que impediam a entrada de operadoras legalizadas, depredavam redes técnicas e destruíam cabos de fibra óptica. A ação era uma forma de manter o monopólio do serviço e garantir o domínio territorial.

Com apoio da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), a polícia mapeou as conexões ilegais. No Morro do Quitungo, a investigação apontou pontos de vigilância armada e restrições à circulação de técnicos de operadoras regulares.

Em fevereiro, minutos após técnicos da empresa irregular serem flagrados atuando na região, uma operadora licenciada registrou uma queda brusca de sinal. Posteriormente, foi constatado o rompimento dos cabos. Materiais furtados de operadoras oficiais também acabaram localizados dentro da sede da empresa ilegal.

Histórico criminal

O dono da empresa ligada ao Comando Vermelho (CV) já responde por tráfico de drogas, furto de energia e receptação. Em depoimento, afirmou ter sido procurado por facções interessadas em expandir o controle do serviço de internet para outras comunidades. Ele também confessou realizar repasses regulares às lideranças do tráfico, sob a justificativa de “doações comunitárias”.

Já o proprietário da empresa associada ao Terceiro Comando Puro (TCP) foi preso em flagrante por receptação qualificada, após a polícia encontrar grande quantidade de cabos de operadoras regulares armazenados em um galpão. A investigação também revelou que os serviços eram prestados por equipes informais, sem vínculo empregatício ou qualificação técnica, que utilizavam veículos de terceiros e operavam de forma completamente irregular.

Em uma das diligências, realizadas em março, sete pessoas acabaram presas, entre elas uma mulher, flagrada no momento da instalação clandestina em Brás de Pina.

O material apreendido nesta terça será submetido à análise forense com acompanhamento do setor de inteligência da Polícia Civil. O objetivo é aprofundar as investigações, identificar outros envolvidos e dar continuidade às diligências, segundo informou a instituição.

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