Para Heringer, o afastamento foi uma medida necessária após repetidas insatisfações com a condução das relações do governo com a bancada do PDT. O líder pedetista, porém, não admitiu – também não negou – que continuem as conversas com a ministra Gleisi Hoffmann.
Por Redação – de Brasília
Embora o líder do PDT na Câmara, deputado Mário Heringer (MG), tenha afirmado que foi tomada a decisão do partido de deixar a base aliada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o canal de diálogo com o Palácio do Planalto permanece aberto, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, nesta quarta-feira. Segundo Heringer, não há qualquer chantagem em curso, mas o desfecho de dois anos de descontentamento, que culminaram na demissão do pedetista Carlos Lupi do Ministério da Previdência, pesou na decisão.

Para Heringer, o afastamento foi uma medida necessária após repetidas insatisfações com a condução das relações do governo com a bancada do PDT. O líder pedetista, porém, não admitiu – também não negou – que continuem as conversas com a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
— A nossa relação com o governo já não era boa há dois anos e pouco. A gota d’água foi esse momento, mas não estamos fazendo chantagem — observou o deputado, em declaração ao canal norte-americano de TV CNN Brasil, nesta manhã. O parlamentar até admite que a decisão de romper com o governo “possa parecer oportunismo”, mas não foi esse o ponto central.
Rompimento
Após reunião, na véspera, a bancada do PDT na Câmara decidiu se tornar independente do governo. O partido, que conta com 17 deputados, se distanciou oficialmente da base aliada. Em contraste, a bancada do partido no Senado anunciou que permanecerá na base, com os três senadores da sigla afirmando que mantêm a proximidade com o governo em função de projetos importantes para o país.
O rompimento do PDT ocorreu após a troca do ministro da Previdência, Carlos Lupi, que também é presidente do partido. Lupi entregou seu cargo na semana passada, após a operação da Polícia Federal que revelou um esquema de corrupção no INSS, que desviou mais de R$ 6 bilhões de aposentadorias e pensões por meio de descontos irregulares.
Para Heringer, não há desentendimento interno entre os parlamentares pedetistas das duas Casas. Ele se disse favorável à nomeação de Wolney Queiroz, também do PDT, como o novo ministro da Previdência, como uma escolha “ideal”. Contudo, criticou a maneira como a troca ocorreu, sugerindo que o presidente Lula deveria ter convidado Lupi para discutir a decisão.
— Seria um gesto de apoio ao nosso partido e ao nosso ministro, que, tenho certeza, não cometeu nenhum deslize — concluiu.