Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Opinião pública brasileira valoriza defesa de Lula à soberania

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Segunda, 04 de Agosto de 2025 às 19:33, por: CdB

Segundo a CEO da Ponto Map, Giovanna Massulo, o interesse do público aumenta quando questões econômicas complexas se conectam diretamente ao dia a dia das pessoas.

Por Redação – de Brasília

A imposição de tarifas aos produtos brasileiros por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem causado uma intensa mobilização digital e prevalece sobre as discussões nas redes sociais ao longo de julho. Segundo levantamento da agência de análise e inteligência de dados Ponto Map, divulgado nesta segunda-feira, o fato gerou 15% de todas as mensagens relacionadas a comportamento, bem-estar e cultura, transformando-se em um tema de política internacional.

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Segundo a CEO da Ponto Map, Giovanna Massulo, o interesse do público aumenta quando questões econômicas complexas se conectam diretamente ao dia a dia das pessoas.

— Quando um tema complexo e distante, como um conflito comercial entre países, é traduzido em algo que impacta diretamente o orçamento e a rotina das pessoas, o assunto imediatamente se torna mais relevante — afirmou Massulo ao diário Valor Econômico.

 

Inflação

A executiva destacou, ainda, que a economia em geral costuma ser um eixo de menor engajamento nas redes, mas ganha força quando entra no cotidiano, como ocorre em casos de inflação ou preços de produtos básicos.

A análise mostra que 74% das publicações tiveram caráter apartidário, manifestando apoio ao Brasil e críticas à atitude do governo norte-americano. O tarifaço de Trump foi interpretado por grande parte do público como um gesto hostil e desrespeitoso, despertando sentimentos de orgulho e defesa da identidade nacional.

— Apesar das críticas ao próprio país, o brasileiro reage quando sente que o Brasil está sendo desrespeitado — acrescentou Massulo.

 

Resistência

O governo brasileiro foi o maior beneficiado pelo movimento nas redes, com 67% das manifestações associando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à defesa da soberania e dos interesses nacionais. A percepção de que o país estava sob ataque externo reforçou o apoio a posições do governo e à ideia de resistência frente às imposições de Washington.

O levantamento também observou que a mobilização digital ganhou novos contornos após a decisão de Trump de excluir alguns produtos da sobretaxa e de anunciar sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Ainda assim, houve preocupações com impactos econômicos negativos, sobretudo quanto ao possível aumento de preços de insumos e medicamentos importados, estimado em até 30% caso a taxação permaneça em vigor.

 

8 de Janeiro

Em linha com a pesquisa da Ponto Map, assessores do Palácio do Planalto têm tratando o ‘tarifaço’ de Trump, contra produtos brasileiros como um marco de impacto político comparável ao 8 de janeiro de 2023, quando golpistas supostamente liderados pelo ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) atacaram as sedes dos Três Poderes.

Na leitura do Planalto, segundo apurações da mídia conservadora, o ataque tarifário promovido pelos EUA configura uma agressão à soberania nacional e, assim como os atos golpistas de janeiro de 2023, pode provocar uma reação unificada entre os Poderes da República, criando um ambiente de trégua com o Congresso.

— Mudou o astral — resumiu um auxiliar direto do presidente Lula a jornalistas, ao avaliar que as sanções de Trump serviram para desmoralizar setores da extrema-direita brasileira, forçados a recuar para uma posição defensiva.

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