Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Imagem da China, perante os brasileiros, tem melhora significativa

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Sexta, 29 de Agosto de 2025 às 20:58, por: CdB

Segundo o levantamento, 46% dos brasileiros têm uma imagem positiva dos Estados Unidos, contra 43% que enxergam de forma negativa.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

A pesquisa da Nexus Pesquisas e Inteligência de Dados, realizada entre 15 e 19 de agosto de 2025 com 2.005 entrevistas presenciais em todas as 27 unidades da Federação, divulgada nesta sexta-feira, mostra uma mudança significativa na percepção dos brasileiros sobre Estados Unidos e China. Embora a imagem geral dos dois países ainda apareça dividida, a tendência revela perda de prestígio dos EUA e avanço consistente da China na opinião pública.

Imagem da China, perante os brasileiros, tem melhora significativa | Os presidentes do Brasil (D), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da China, Xi Jinping (PCCh), têm mantido contato
Os presidentes do Brasil (D), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da China, Xi Jinping (PCCh), têm mantido contato

Segundo o levantamento, 46% dos brasileiros têm uma imagem positiva dos Estados Unidos, contra 43% que enxergam de forma negativa. No caso da China, o equilíbrio é semelhante, mas com tendência mais favorável: 45% de avaliações positivas e 43% negativas.

Os jovens (16 a 24 anos) são os mais simpáticos às duas potências, com 58% de aprovação para os EUA e 57% para a China. Já entre os mais velhos, sobretudo acima dos 60 anos, predominam percepções negativas. Regionalmente, o Nordeste é o mais crítico aos EUA (54% de rejeição), enquanto o Sul concentra apoio (56%). Em relação à China, o Sudeste aparece como a região mais receptiva, com 48% de avaliação positiva.

 

Oportunidade

O dado mais expressivo do estudo está na avaliação do papel global das potências. Para 56% dos brasileiros, a liderança norte-americana é prejudicial ao Brasil, contra apenas 32% que a consideram positiva. Já a China é percebida de forma oposta: 47% veem sua liderança como positiva e apenas 39% como negativa.

Esse contraste mostra que, ainda que a imagem geral esteja dividida, a China passa a ser vista como parceira de cooperação e desenvolvimento, enquanto os Estados Unidos aparecem cada vez mais como potência agressiva e hostil aos interesses nacionais.

A pesquisa também investigou a posição dos brasileiros diante de temas estratégicos da geopolítica. Sobre o comércio internacional, 44% defendem alternativas ao dólar — contra 43% que preferem mantê-lo como moeda central. O resultado mostra que a sociedade acompanha a discussão global sobre desdolarização, reforçada no âmbito dos BRICS.

 

Alternativa

Nesse ponto, 48% acreditam que o Brasil deve estreitar relações com o bloco, formado por países como China, Rússia, Índia e África do Sul, enquanto apenas 33% defendem distanciamento.

Por fim, quando perguntados se o Brasil deveria se aproximar mais de EUA ou China, os entrevistados se dividiram: 43% apontaram os EUA e 42% a China. O empate técnico revela que o país vive um momento de transição diplomática, com os Estados Unidos ainda fortes no imaginário, mas com a China crescendo como alternativa de poder global

A pesquisa da Nexus expõe um cenário de virada na opinião pública brasileira: enquanto os EUA veem sua imagem desgastada e sua liderança associada a riscos e prejuízos, a China conquista espaço, sendo percebida como uma força positiva para os interesses do Brasil.

Esse movimento reflete não apenas a disputa global entre as duas potências, mas também a busca da sociedade brasileira por maior autonomia, multipolaridade e novas parcerias internacionais.

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