Nomeado para a Presidência da Comissão, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) que denunciou o depoente, o empresário Otávio Fakhouri, pelo crime de homofobia e revelou tuíte do mesmo onde fez um ataque homofóbico contra Contarato.
Por Redação - de Brasília
O empresário bolsonarista Otávio Fakhoury usou seu depoimento na CPI da Covid, nesta quinta-feira, para defender o negacionismo e propagar mentiras sobre vacinas e as medidas não-farmacológicas, como o uso de máscara. Os senadores classificaram as falas como criminosas.
O empresário Otavio Fakhoury, réu em processo por patrocínio de notícias falsas, foi confrontado na CPI da Covid
Fakhoury, sob o argumento de que se tratava de “sua opinião”, criticou a eficácia das vacinas, desdenhou a segurança do uso de máscaras e exaltou medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19. O empresário disse também que ele e sua família não se vacinaram contra o vírus.
Ciência
O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que o posicionamento de Fakhoury era criminoso.
— Quando a liberdade de opinião atinge a saúde pública, não é mais opinião. É crime — disse.
Em outro momento, o parlamentar pediu aos telespectadores que não acreditassem no depoente.
— Não ouçam esse senhor. Não há remédios para curar covid-19. Só medidas não farmacológicas e vacinas salvam. É o que a ciência comprovou — acrescentou.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou também que o depoente estava se auto-incriminando, por desrespeitar o artigo 268 do Código Penal, que versa sobre infrações de medidas sanitárias para evitar a propagação de doença contagiosa.
Bolsonaro
Durante a oitiva, o depoente, que compartilha das posições de Jair Bolsonaro, negou que tenha relação com o presidente da República. Entretanto, confirmou que fez doações ao PSL, partido do então candidato Bolsonaro, durante a campanha presidencial de 2018.
Calheiros leu parte do inquérito da Polícia Federal sobre os atos antidemocráticos, que aponta que o depoente fez doação para a campanha, sem declaração. Otávio Fakhoury bancou quase R$ 50 mil em material para campanha. Os gastos não constam na declaração à Justiça Eleitoral.
— Durante a campanha, enquanto Bolsonaro estava acamado, ajudei grupos que estavam imprimindo materiais de campanha, por isso não foi declarado no TSE — explicou o empresário bolsonarista.
Força Brasil
Otávio Fakhoury é vice-presidente da organização de extrema direita Instituto Força Brasil (IFB). O coronel Helcio Bruno de Almeida, presidente da entidade, foi um dos responsáveis pela negociação de vacinas com a empresa Davati que nunca existiram.
O IFB tem suas redes sociais cheias de fotos e documentos que mostram sua proximidade com o governo federal e o presidente Jair Bolsonaro, além de ativismo negacionista e a campanha “criminosa” contra medidas de combate à pandemia.
Anti-vacina, Fakhoury foi perguntado pela CPI da Covid o porquê de estar ligado a uma entidade que queria vender vacina ao governo. Ele respondeu que não sabia da negociação e que estão debatendo “se vão trocar a diretoria ou extinguir o instituto”.
Homofóbico
Nomeado para a Presidência da Comissão, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) que denunciou o depoente, o empresário Otávio Fakhouri, pelo crime de homofobia e revelou tuíte do mesmo onde fez um ataque homofóbico contra Contarato.
— Muitas pessoas me perguntam, quando eu tomei posse como senador da República, se os meus colegas me respeitavam e eu nunca titubeei e sempre falei: todos me respeitam, tem carinho e admiração e deferência por mim e como deve ter por qualquer pessoa — iniciou o senador.
Diante da ofensa pessoal, Contarato avisou:
— O Supremo Tribunal Federal, tardiamente, o mesmo Supremo que o senhor defende pra extinguir, criminalizou a homofobia equiparando ao crime de racismo, aliás um dos poucos crimes que são considerados inafiançáveis e imprescritíveis.
Moralidade
Indignado, o senador Contarato questionou ainda por qual tipo de moralidade o depoente se pauta.
— Qual é o conceito de moralidade do senhor? Qual é o conceito de legalidade. O senhor pode ter todo o dinheiro do mundo, eu tenho a minha vida modesta e com muito orgulho, cuidando da minha família, orgulho com o meu esposo e com os meus 2 filhos: Gabriel de 7 anos e Ana que fez 2… eu quero que eles tenham certeza de que eu lutei e de que vou continuar lutando para reduzir essa desigualdade que há no Brasil — acrescentou.
Em seguida, o parlamentar deixou uma lição ao depoente.
— A orientação sexual não define o caráter, que a cor da pele não define caráter, que o poder aquisitivo não define caráter. O senhor faz isso comigo que sou senador da República imagina no Brasil que mais mata a população LGBTQIA+. O mínimo que o senhor deveria fazer é pedir desculpas e não só a mim, mas a toda população LGBTQIA+ — concluiu o senador.