Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2025

Lula reforça nacionalismo, mas conversa nos bastidores com EUA

Arquivado em:
Segunda, 28 de Julho de 2025 às 20:41, por: CdB

Trump, segundo observadores no entorno do presidente Lula, tem recusado o diálogo, hoje, para ter o Brasil como instrumento de pressão sobre outros países.

 

Por Redação – de Brasília

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por todos os meios, tem reforçado o tom nacionalista e reafirmado que não cederá ao que chama de “chantagem” dos Estados Unidos, na questão das tarifas de 50% previstas para entrar em vigor no fim desta semana. Lula, no entanto, mantem abertos todos os canais de diálogo com os norte-americanos e trabalha, nos bastidores, na preparação de um contato de alto nível com a Casa Branca, segundo fontes próximas às negociações disseram às agência internacionais de notícias.

Lula reforça nacionalismo, mas conversa nos bastidores com EUA | Lula tem buscado canais de negociação com o governo Trump
Lula tem buscado canais de negociação com o governo Trump

Trump, segundo observadores no entorno do presidente Lula, tem recusado o diálogo, hoje, para ter o Brasil como instrumento de pressão sobre outros países e usado o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) como forma de embasar sua estratégia de pressão sobre o comércio internacional. O abandono de Bolsonaro, quando perder a utilidade, é uma tese possível de acordo com analistas.

Desde o ferro gusa, que é 100% fornecido pelo Brasil e do qual a indústria do aço norte-americana não tem como prescindir, até as terras raras que interessam aos fabricantes de produtos altamente tecnológicos, sem especificar as áreas sobrepostas na indústria da aviação, o impacto do ‘tarifaço’ mostra-se importante para a economia dos EUA. E os empresários de ambos os lados têm usado cada vez mais os encontros pela internet, para conversar sobre tais pontos.

 

Refratário

Os dois lados já perceberam ser remota a chance de as tarifas serem suspensas, às vésperas da entrada em vigor nesta sexta-feira. As equipes em campo, tanto em Washington quanto em São Paulo — Estado-sede da maior parte dos negociadores —, no entanto, já preveem que a Casa Branca abrirá um canal de diálogo com o governo brasileiro logo em seguida, com objetivo de aliviar a pressão exercida pelas empresas norte-americanas fortemente impactadas por tarifas impensáveis.

Não é à toa que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está hoje nos Estados Unidos, sem uma agenda oficial definida, mas com uma série de reuniões agendadas na sede da ONU, em Nova York. Vieira também não descarta uma passagem por Washington, caso o governo Trump decida iniciar o diálogo.

Sem o menor alicerce técnico para sustentar o peso de 50% nas taxas de importação dos produtos brasileiros, a medida visa retaliar o Supremo Tribunal Federal (STF) porque julga Bolsonaro, réu na ação penal por suspeita de liderar o Estado fracassado em 2022. Mas senadores democratas, na maioria, ao lado de alguns republicanos, apontam o “abuso de poder” cometido pela administração Trump, que visa interferir nos assuntos internos da Justiça brasileira.

TACO

Ao lado dos esforços desenvolvidos pela diplomacia brasileira e amplos setores do empresariado, a comitiva de senadores brasileiros que se encontra nos EUA tem conseguido agendar para os próximos dias uma série de reuniões com representantes do Congresso e do setor privado, em Washington.

Na véspera, Trump adiantou que não adiará o início das tarifas prometidas para 1º de agosto a parceiros comerciais, o Brasil entre eles, ainda que setores do mercado financeiro tenham cogitado a possibilidade, com base no apelido ‘TACO Trump’, do ’Trump Always Chickens Out’ ou ‘Trump Sempre Amarela’.

Edições digital e impressa
 
 

 

 

Jornal Correio do Brasil - 2025

 

Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.

Concordo