Lula também garantiu que seu governo defenderá não apenas o ministro Alexandre de Moraes, mas todo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Por Redação – de Brasília
Em movimentada entrevista coletiva, na manhã desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de “terrorismo” a atuação de um parlamentar licenciado que está nos Estados Unidos “lambendo as botas” do presidente Donald Trump e pedindo medidas contra o Brasil, em referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o filho ’03’ do ex-mandatário neofascista.

— É terrorismo que um cidadão que é deputado fique nos Estados Unidos lambendo as botas do Trump e pedindo medidas contra o Brasil — afirmou.
Lula também garantiu que seu governo defenderá não apenas o ministro Alexandre de Moraes, mas todo o Supremo Tribunal Federal (STF).
— Os Estados Unidos precisam compreender que respeito às instituições de outros países é muito importante — acrescentou.
Eduardo Bolsonaro é alvo de inquérito criminal no STF, após o Ministério Público Federal (MPF) acusar o parlamentar de defender que autoridades dos EUA apliquem sanções a ministros da Suprema Corte brasileira.
Redes sociais
Outro ponto polêmico abordado pelo presidente foi a regulação das redes sociais. Lula repetiu ser favorável a um regime de urgência na análise do assunto que entra em pauta no STF, nesta semana.
Na conversa com jornalistas, no Palácio do Planalto, Lula afirmou ainda que a regulamentação pode ser feita tanto pelo Congresso quanto no Supremo.
— Temos que fazer uma regulamentação, ou pelo Congresso brasileiro ou pela Suprema Corte. Queremos apressar a regulamentação, da forma mais democrática possível, ouvindo a sociedade brasileira, porque não é possível que um cara tente dar um golpe de Estado no dia 8 de janeiro neste país e diga que isso é liberdade de expressão — reforçou Lula aos jornalistas que cobrem a Presidência da República.
O Supremo retoma nesta semana julgamento sobre recursos em torno do Marco Civil da Internet que discutem se as plataformas de redes sociais têm responsabilidade sobre o conteúdo publicado por seus usuários.
Palestina
Ainda na entrevista coletiva, Lula voltou a classificar como “genocídio” as ações militares de Israel contra a população palestina na Faixa de Gaza. A fala de Lula ocorre um dia após a embaixada de Israel no Brasil divulgar nota insinuando que líderes internacionais estariam sendo enganados pelo Hamas, grupo que controla Gaza, e reforça o embate diplomático em torno da guerra no Oriente Médio.
Lula foi enfático ao rebater as críticas veladas do governo israelense.
— Um presidente da República não responde a uma embaixada. O presidente da República reafirma o que disse: o que está acontecendo em Gaza não é uma guerra. É um exército matando mulheres e crianças. Possivelmente todas as pessoas de bom senso no mundo, inclusive gente do povo de Israel – e vocês devem ter lido uma carta do ex-primeiro-ministro de Israel criticando que não é mais uma guerra; é genocídio — rebateu, em tom indignado.
O presidente também mencionou manifestações internas contrárias às ações do governo Netanyahu.
— Vocês já viram carta de mil militares anunciando que aquilo não é mais guerra, é genocídio. Você não pode, a pretexto de encontrar alguém, matar mulheres e crianças, deixar crianças com fome. Não sei se vocês viram a cena de duas crianças que estavam carregando farinha para comer e que foram mortas — concluiu.