Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Ligação entre Lula e Xi Jinping amplia resistência aos EUA

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Terça, 12 de Agosto de 2025 às 19:39, por: CdB

O presidente Lula, por sua vez, reiterou a importância que a China terá para o sucesso da COP30 e no combate à mudança do clima, no mundo.

Por Redação – de Brasília

O telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente da República Popular da China, Xi Jinping, no fim da noite passada ajudou a ampliar a resistência às sanções impostas pelo governo norte-americano aos produtos de ambos os países. Na ligação, que durou cerca de uma hora, os dois líderes também trocaram impressões sobre a atual conjuntura internacional e os recentes esforços pela paz entre Rússia e Ucrânia. Ambos concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo.

Ligação entre Lula e Xi Jinping amplia resistência aos EUA | Os presidentes do Brasil (D), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da China, Xi Jinping (PCCh), têm mantido contato
Os presidentes do Brasil (D), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da China, Xi Jinping (PCCh), têm mantido contato

O presidente Lula, por sua vez, reiterou a importância que a China terá para o sucesso da COP30 e no combate à mudança do clima, no mundo. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e trabalhará com o Brasil para o êxito da conferência.  

Os chefes de Estado também conversaram sobre a parceria estratégica bilateral. Nesse contexto, saudaram os avanços já alcançados no âmbito das sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento dos dois países e comprometeram-se a ampliar o escopo da cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites.  

 

Tarifaço

Ambos os presidentes também destacaram sua disposição em continuar identificando novas oportunidades de negócios entre as duas economias, em meio ao tarifaço dos Estados Unidos. Em nota, o governo declarou que “todos os países devem se unir e se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo”.

Na manhã desta terça-feira, o presidente brasileiro foi às redes sociais para comentar a ligação.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e julho deste ano as exportações para a China superaram os US$ 57,6 bilhões — cerca de R$ 313 bilhões. Já as importações somaram US$ 41,7 bilhões — cerca de R$ 227 bilhões.

 

Soberania

Lula afirmou, um pouco depois, que o Brasil precisa manter sua soberania e sonhar grande diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. As declarações foram feitas durante a entrega de um prêmio da área de educação, no Palácio do Planalto.

— Este país está precisando de todos nós, porque o mundo está ficando mais perverso. O mundo está ficando mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático, e que o povo brasileiro seja o único dono deste país — disse Lula.

Assim que lançar o plano de ajuda econômica em resposta ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, o governo quer iniciar o debate sobre medidas de reciprocidade.

 

Análise

O assunto ainda é considerado polêmico porque empresários brasileiros temem que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA ou gerar outros impactos negativos na economia. Além disso, integrantes de setores econômicos avaliam que o uso da lei poderia sinalizar uma saída da mesa de negociação para tentar reverter as tarifas impostas nos últimos meses.

Segundo fontes do governo, Lula pediu aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade.

A orientação, segundo integrantes dessas pastas, não é adotar ações amplas, mas medidas específicas.

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