O homem é um dos envolvidos em tumulto registrado em 2024, antes de uma partida contra o Botafogo; cabe recurso.
Por Redação, com CartaCapital – do Rio de Janeiro
A Justiça do Rio de Janeiro condenou a seis anos e três meses de prisão o uruguaio Ezequiel Rodrigues Acuña, um dos envolvidos em um episódio de tumulto de torcedores do Peñarol no Rio de Janeiro, em outubro de 2024. Na ocasião, o clube uruguaio enfrentaria o Botafogo pela Taça Libertadores.

Segundo denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ele fazia parte de um grupo de integrantes de torcida organizada que estavam em um quiosque de praia no bairro do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da capital fluminense. Após uma discussão com funcionários do estabelecimento, houve depredações, roubo de dinheiro do caixa e agressões a pedestres.
Ainda de acordo com o MPRJ, Acuña e outros torcedores incendiaram veículos que estavam estacionados perto do quiosque. As imagens exibidas ao vivo por emissoras de TV foram usadas como prova do envolvimento dele. Houve, ainda, denúncia de atos racistas. Outros acusados aguardam julgamento.
O uruguaio foi condenado pelos crimes de associação criminosa armada, incêndio e corrupção de menores. A Justiça o absolveu, entretanto, das denúncias de roubo, dano qualificado, grave ameaça, injúria racial e rixa. O MPRJ recorreu, em busca de condenações em outros crimes.
A CartaCapital, o advogado Roger Gomes, que atua ao lado de Eduardo Benfica na defesa de todos os uruguaios envolvidos no caso, informou que também apresentou recurso sobre o caso, e busca também habeas corpus.
Entre todos os envolvidos, Ezequiel Acuña é o único que segue preso. Outros cinco seguem impedidos de deixar o Brasil e, atualmente, usam tornozeleiras eletrônicas. “Apenas Ezequiel foi condenado, em um fato complexo que prendeu em flagrante 22 adultos”, apontou Gomes.
Relembre o caso
O episódio que levou à condenação do torcedor aconteceu em 23 de outubro de 2024, dia do jogo entre Botafogo e Peñarol. Os torcedores do time uruguaio estavam concentrados na região litorânea do Recreio dos Bandeirantes, local do tumulto.
Um ônibus chegou a ser incendiado. O grupo colocou fogo em outros veículos, como motocicletas. Uma pistola foi apreendida. A polícia deteve mais de 280 pessoas – a maioria foi liberada. Após o episódio, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro reconheceu falha no esquema de segurança montado para receber os torcedores da equipe uruguaia.