Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2025

Jaguar deixa essa existência consagrado como maior cartunista do país

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Domingo, 24 de Agosto de 2025 às 17:21, por: CdB

“Nos últimos dias, estava sob cuidados paliativos. O hospital se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda para a cultura brasileira”, diz o documento.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, morreu, neste domingo, aos 93 anos, após internação no Hospital Copa D´Or. Em nota, a assessoria de imprensa do hospital informou que o artista estava internado em razão de uma infecção respiratória, que evoluiu com complicações renais.

Jaguar deixa essa existência consagrado como maior cartunista do país | O cartunista Jaguar, com sua irreverência, deixou a ditadura militar atordoada
O cartunista Jaguar, com sua irreverência, deixou a ditadura militar atordoada

“Nos últimos dias, estava sob cuidados paliativos. O hospital se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda para a cultura brasileira”, diz o documento.

Jaguar começou a carreira, no ano de 1952, quando trabalhava no Banco do Brasil. Na ocasião, ele conseguiu publicar um desenho na coluna de humor Penúltima Hora no diário brasileiro de esquerda Última Hora. Depois passou a publicar charges seus trabalhos na página de humor da revista Manchete. O pseudônimo, com o qual ficou famoso, foi uma sugestão de Borjalo.

Durante a ditadura, lançou um de seus personagens mais conhecidos, o ratinho Sig, que foi mascote do jornal O Pasquim, do qual Jaguar foi um dos fundadores. O artista foi preso uma vez e enfrentou processos no período.

 

Arqueólogos

Jaguar, ao longo da carreira, nunca guardou um original sequer. Em quase 70 anos de atividade, calculava ter produzido cerca de 30 mil cartuns, charges, caricaturas e ilustrações de todo tipo, desenhados em qualquer pedaço de papel, até guardanapos de botequim, os quais muitas vezes eram enfiados no bolso antes de entregues amassados às redações.

Os futuros arqueólogos da imprensa terão muito trabalho para localizar as inúmeras publicações — a maioria já extinta, muitas no exterior — e levantar a trajetória artística daquele que Ruy Castro considera o maior cartunista brasileiro de todos os tempos.

— Para mim, Jaguar é um gênio. Os outros defeitos eu desculpo — declarou o também cartunista Millôr Fernandes.

“Não esquenta, o trabalho é mole”, comentou um funcionário veterano, Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, com quem cursou uma escolinha de humor batendo papo e bebendo chope no Café Simpatia da avenida Rio Branco. No futuro, Jaguar ilustraria todos os livros de Porto.

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