O aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi atingido por uma nova etapa das investigações na semana passada, quando a Polícia Federal (PF) divulgou um conjunto de mensagens privadas que o retratam como líder hesitante.
Por Redação, com Reuters – de Brasília
À medida que se aproxima a etapa final do julgamento do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a denúncia de liderar o golpe de Estado fracassado no 8 de Janeiro, cresce o desânimo e a dissolução do núcleo mais próximo do líder extremista de direita, conforme constata a agência inglesa de notícias Reuters.

Seguidores mais próximos, que visitaram Bolsonaro em seu apartamento-prisão num condomínio de luxo, na Capital Federal, disseram à Reuters que o viram “lutando contra crises de tristeza, ataques de soluços e uma fixação no ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem culpa por seus problemas”.
O aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi atingido por uma nova etapa das investigações na semana passada, quando a Polícia Federal (PF) divulgou um conjunto de mensagens privadas que o retratam como líder hesitante, duvidando de si mesmo e lutando para conter as brigas internas entre aliados próximos.
“Abre a boca!”, escreveu-lhe em uma mensagem o pastor evangélico Silas Malafaia, pedindo ao ex-presidente que fizesse uso político das pesadas tarifas que Trump impôs aos produtos brasileiros. “Líder dá direção ao povo. Povo é levado por outros quando o líder se cala”, acrescentou o pastor.
Intervenção
As mensagens foram divulgadas como parte de uma investigação sobre o ex-presidente e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que lidera uma campanha nos EUA em que pede ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, mais penalidades econômicas e políticas contra o Brasil, na tentativa de livrar o pai da cadeia iminente.
As medidas extremas adotadas pelos EUA, no entanto, não alteraram em um milímetro sequer o curso do julgamento de Bolsonaro. Ao contrário. Segundo pesquisas, impulsionaram o prestígio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de opinião e elegeram um inimigo comum para a centro-direita, um aliado relutante do Palácio do Planalto.
Contexto
Quanto mais perto fica o julgamento de Bolsonaro no STF, marcado para o início de setembro, suas conversas mostram um líder inseguro sobre como conduzir seu próprio destino, quanto mais unir sua base fragmentada antes das eleições presidenciais do próximo ano. Quando Malafaia pediu a Bolsonaro que gravasse um vídeo e o traduzisse para o inglês para chamar a atenção de Trump, o ex-presidente reclamou que estava muito doente para produzi-lo.
“Estou com uma crise de soluço. Se por acaso acalmar aqui, eu faço”, declinou, em mensagem ao interlocutor. Alguns dias depois, gravou um vídeo.
Em comunicado à mídia, um dos advogados de Malafaia disse que suas mensagens privadas foram tiradas de contexto e que elas não mostram qualquerirregularidade. A defesa de Bolsonaro não comentou a reportagem.
Tornozeleira
Bolsonaro, há três semanas confinado em casa, chamou a decisão de Moraes, quem classifica de “ditador”, incluindo a apreensão de seu celular e a obrigatoriedade de usar uma tornozeleira eletrônica, de atos de “covardia”. “Suprema humilhação”, disse Bolsonaro à Reuters em uma entrevista no dia em que a o equipamento foi anexado ao tornozelo esquerdo.
— Tenho 70 anos, fui presidente da República por quatro anos — retrucou.
À medida que sua prisão domiciliar se arrasta, o humor do ex-presidente vem piorando, apesar do fluxo constante de visitas de aliados.
— A gente percebe que o presidente está angustiado, ele não é aquele Bolsonaro risonho que a gente conhece, o principal aspecto da angústia é o sentimento de injustiça — resumiu o deputado Domingos Sávio (PL-MG), que esteve na casa do ex-presidente na semana passada.