Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Clã Bolsonaro: inimigo do Brasil

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Sexta, 01 de Agosto de 2025 às 13:25, por: CdB

A postura dessa família não apenas desprezou os interesses nacionais, mas minou a soberania e o bem-estar do país em prol de uma agenda externa e de salvaguardas pessoais.

Por Thiago Modenesi – de Brasília

Faltou mais coragem ao editorial do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo de 31 de julho deste ano intitulado “Eduardo Bolsonaro, inimigo do Brasil” ao não incluir seu pai, irmãos e madrasta no título, contemplando todo o clã que tem servido aos interesses imperialistas e ultradireitistas dos EUA governado por Donald Trump faz anos.

Clã Bolsonaro: inimigo do Brasil | A postura dessa família não apenas desprezou os interesses nacionais, mas minou a soberania e o bem-estar do país
A postura dessa família não apenas desprezou os interesses nacionais, mas minou a soberania e o bem-estar do país

A acusação de serem inimigos do Brasil pode até parecer grave, mas quando analisamos a trajetória internacional e as ações recentes do clã Bolsonaro, especialmente sua subserviência ideológica e política aos Estados Unidos de Donald Trump e ao trumpismo, o termo ganha uma perturbadora ressonância. Trata-se de uma postura que não apenas desprezou os interesses nacionais, mas ativamente minou a soberania e o bem-estar do país em prol de uma agenda externa e de salvaguardas pessoais.

O governo Jair Bolsonaro (2019-2022) foi marcado por um alinhamento internacional sem precedentes com os EUA, calcado não em estratégia pragmática, mas em afinidade ideológica e adesão cega ao então presidente norte-americano. Este alinhamento se manifestou em equívocos estratégicos profundos.

Para agradar ao governo Trump e a setores ruralistas brasileiros, Bolsonaro promoveu um desmonte sistemático das políticas de proteção ambiental e das agências fiscalizadoras (Ibama, ICMBio). O aumento recorde do desmatamento e das queimadas na Amazônia manchou irreparavelmente a imagem do Brasil no mundo, nos isolando diplomaticamente e ameaçando acordos comerciais cruciais (como o potencial União Europeia-Mercosul).

A soberania sobre a Amazônia foi invocada retoricamente, mas na prática, a gestão foi entregue a interesses predatórios, prejudicando o próprio Brasil e o planeta, em sintonia com o ceticismo climático trumpista.

Bolsonaro adotou uma postura de vassalagem ideológica, apoiando incondicionalmente as posições mais controversas de Trump, mesmo quando contrárias aos interesses brasileiros. O vergonhoso apoio ao golpe de estado na Bolívia em 2019, alinhado à narrativa de Trump, é um exemplo gritante de submissão que prejudicou as relações regionais do Brasil. A tentativa de importar a guerra cultural trumpista, com ataques a direitos humanos, minorias e instituições democráticas, contaminou o discurso político interno e afastou parceiros tradicionais.

Covid-19

Sem esquecer o que vivemos durante a pandemia da covid-19, com o governo Bolsonaro negando a importância da vacinação, do isolamento e distanciamento social, causando quase 1 milhão de mortes, refletindo o ceticismo e o boicote ao uso de vacinas, inclusive com a disseminação de fake news sobre o tema, com também o fazia na época o trumpismo nos EUA.

O foco obsessivo em agradar Washington levou ao descaso com relações estratégicas tradicionais, como com a China (principal parceiro comercial) e países vizinhos. O Brasil perdeu protagonismo em fóruns internacionais como o Brics e a Celac, tornando-se um pária ambiental e um aliado pouco confiável, exceto para um governo Trump em busca de espelhos ideológicos.

O legado de subserviência não terminou com o fim do mandato de Bolsonaro. Encontra seu epítome atual na figura de seu filho Eduardo Bolsonaro. O deputado federal não apenas abraçou o trumpismo como bandeira pessoal, mas o utiliza de forma ainda mais explícita e danosa para defender interesses familiares, atacando diretamente a economia brasileira.

Em abril de 2023, Eduardo Bolsonaro já defendia publicamente a ideia de que o Brasil deveria conceder anistia ao seu pai, Jair Bolsonaro, como forma de “pacificação”. A ameaça velada? Que, sem essa anistia, seus apoiadores poderiam promover “manifestações que atrapalhariam a economia”. É um ato de chantagem política inaceitável, onde o bem-estar econômico do país é colocado como refém para salvar uma figura política da responsabilidade por seus atos. Isso não é defesa de princípios, é abertamente declarar-se inimigo da estabilidade e da ordem democrática se seus interesses pessoais não forem atendidos.

Eduardo Bolsonaro já posava como o principal porta-voz do trumpismo no Brasil antes de se autoexilar nos EUA. Sua retórica copia os ataques de Trump às instituições democráticas (Justiça, TSE), espalha desinformação e cultiva o mesmo clima de polarização tóxica e autoritarismo.

Seu estímulo e endosso à perseguição ao governo brasileiro e ao judiciário do país pelo governo Trump através da taxação dos produtos diz muito, mostra toda vassalagem dos Bolsonaros quando se trata de seus interesses familiares, bem como seu desprezo pelo Estado democrático tripartite, com repartição dos poderes e independência entre estes, mais um espelhamento das ideias do seu ídolo, Trump. No fundo, tanto Bolsonaro pai como Trump sonham em ser monarcas em suas nações, sem legislativo ou judiciário funcionais e fiscais, como manda as constituições dos dois países.

Golpe

Assim como Trump, o clã Bolsonaro, com Eduardo à frente, alimenta a narrativa de fraude eleitoral sem provas e perseguição política, minando a confiança no sistema democrático. O envolvimento de apoiadores de Jair Bolsonaro nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, inspirados no ataque ao Capitólio norte-americano, é a manifestação mais violenta dessa influência nefasta e da disposição de destruir instituições para manter o poder ou fugir da Justiça.

O clã Bolsonaro, através de Jair e Eduardo, demonstrou repetidamente que sua lealdade primordial não é ao Brasil, mas a uma ideologia estrangeira radical (o trumpismo) e à sua própria perpetuação no poder ou imunidade. A subserviência internacional de Jair enfraqueceu a posição global do Brasil, destruiu ativos ambientais estratégicos e isolou o país. A subserviência de Eduardo ao mesmo ideário, combinada com a chantagem explícita de sacrificar a economia para obter anistia familiar, é um ataque direto à soberania, à estabilidade democrática e ao bem-estar do povo brasileiro.

Chamá-los de inimigos do Brasil não é mero exercício retórico. É reconhecer que suas ações, motivadas por alinhamento cego a interesses externos e por ambição pessoal desmedida, causaram e continuam a causar danos profundos à nação, à sua democracia, à sua economia e ao seu lugar no mundo. Defender o Brasil significa rejeitar firmemente essa herança de subserviência e o projeto político que a sustenta. A soberania nacional e a saúde da democracia dependem disso.

Já desconfiávamos que o pretenso nacionalismo bolsonarista não passava de mera fantasia. O clã Bolsonaro quer um Brasil de joelhos, submisso ao governo dos EUA, com Jair como marionete dos interesses estadunidenses. Para eles, que tentaram derrubar o governo democraticamente eleito do Brasil através de golpe, sobra a aplicação plena da Lei e uma punição exemplar.

Para o Brasil, renasce uma unidade nacional dos verdadeiros patriotas liderada pelo presidente Lula, com aqueles que defendem nossa economia, interesses, povo e valores perante o avanço do fascismo da ultradireita capitaneada por Trump. O Brasil vem fazendo isso pelos canais diplomáticos adequados, com sua experiência secular de diplomacia, além de buscar a diversificação das relações exteriores, garantindo que nossa nação ocupe um lugar de proa em mundo multipolar mais democrático, plural e justo. O primeiro resultado acaba de ser colhido, com a exclusão de quase 700 produtos da taxação de Trump contra o nosso país, vitória do Brasil, do nosso governo e diplomacia.

 

Thiago Modenesi, é Bacharel em Direito, Licenciado em História e Pedagogo, Especialista em Ensino de História, Ciência Política, Gestão da Aprendizagem e Moderna Educação, Mestre e Doutor em Educação, com pos-doutorado na área. É professor no Mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste e nos Programas de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica e Ciências Farmacêuticas, todos na UFPE, membro do INCT iCeis, pesquisador sobre inovação e Estado, charges, cartuns e histórias em quadrinhos e editor na Quadriculando Editora, além de presidente do PCdoB em Jaboatão dos Guararapes-PE.

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