Segundo o analista, o Brasil passará “raspando” sem racionamento de energia elétrica neste ano, mas pode sofrer apagões involuntários, uma vez que as medidas de gerenciamento de oferta e demanda estão corretas, mas a comunicação precisa ser reforçada.
Por Redação - de Brasília e Goiânia
A Usina Hidrelétrica de Itumbiara, maior unidade da estatal Furnas Centrais Elétricas S.A, localizada no rio Paranaíba, entre os municípios de Itumbiara, em Goiás, e Araporã, em Minas Gerais, gera menos energia atualmente do que em agosto de 2001. Na época, houve o apagão energético no Brasil.
A vazão da maior hidrelétrica do complexo de Furnas reduziu a vazão ao seu nível mínimo, em 20 anos
A geração média de energia, na última segunda-feira, foi de 388 MW, apenas 19% da capacidade total, com nível de água em 10%, o menor nos últimos 20 anos. Em 2001, quando houve o apagão, o nível do reservatório era de 11,8%. Os dados divulgados em relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nesta quarta-feira, sinalizam para o risco de apagões nos horários de pico, geralmente no início da noite, na avaliação do ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) e Aneel Jerson Kelman.
Racionamento
Segundo o analista, o Brasil passará “raspando” sem racionamento de energia elétrica neste ano, mas pode sofrer apagões involuntários, uma vez que as medidas de gerenciamento de oferta e demanda estão corretas, mas a comunicação precisa ser reforçada para ter a adesão da população.
— Os reservatórios estarão muito baixos, ninguém vai dormir tranquilo até novembro. É uma situação preocupante — disse Kelman ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP), nesta manhã.
Kelman presidiu a força-tarefa criada pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso para investigar as causas do racionamento de 2001. Parte dos problemas foi corrigida. Mas algumas distorções continuam. Uma delas é a questão das garantias físicas das usinas hidrelétricas, que, segundo ele, continuam superestimadas.
Déjà-vu
Ou seja, geram menos do que dizem que podem produzir num momento de seca. Outra questão é a falta de gás para atender às térmicas.
— Parece um déjà-vu — destaca o analista.
Kelman não afasta a possibilidade de um racionamento, mas não acredita que isso venha a ocorrer.
— O racionamento pode ser evitado com gerenciamento da oferta e demanda, o que já está sendo feito. Segundo o estudo da (consultoria) PSR, a probabilidade varia de 2% a 20%. Isso exige algumas medidas que em condições normais não seriam tomadas. Por exemplo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já autorizou reduzir o critério N-2 para N-1 nas linhas de transmissão entre Nordeste e Sudeste. É como se fosse um carro que andava com dois estepes e agora só tem um — resumiu.