O FMI passou a apontar, agora, um crescimento de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de acordo com seu relatório Perspectiva Econômica Global, aumento de 0,1 ponto percentual em relação à projeção feita no relatório de abril.
Por Redação, com Reuters – de Washington
O Fundo Monetário Internacional (FMI), presidido pela economista búlgara Kristalina Georgieva, elevou ligeiramente sua perspectiva de crescimento do Brasil em 2026, mas ainda vê uma certa desaceleração da economia à frente, de acordo com novas projeções divulgadas nesta terça-feira, que ainda não levam em conta o prometido aumento de tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O FMI passou a apontar, agora, um crescimento de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de acordo com seu relatório Perspectiva Econômica Global, aumento de 0,1 ponto percentual em relação à projeção feita no relatório de abril.
Apesar da alta, a leitura ainda mostra leve desaceleração ante a expansão de 2,3% estimada para este ano. A estimativa do FMI para 2025 já havia sido elevada de 2,0% no relatório de abril para 2,3% em junho, após discussões com autoridades brasileiras durante visita de missão técnica do Fundo ao Brasil para a chamada “Consulta do Artigo IV”, uma avaliação periódica da economia dos países feita pelo órgão.
Tarifas
O Fundo explicou que suas projeções nesse relatório são baseadas nas políticas comerciais atualmente em vigor, ou seja, assume que as políticas adotadas no momento em que ele foi escrito são permanentes.
“Esse é o caso mesmo em relação a medidas que foram enquadradas como temporárias ou pendentes, o que significa que considera-se que pausas nas tarifas mais altas continuarão em vigor após seus prazos de validade e que taxas mais altas não entrarão em vigor”, disse o FMI em seu relatório.
No momento pesa sobre a economia brasileira a perspectiva de adoção de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, com entrada em vigor na sexta-feira. O Brasil vem encontrando dificuldades para manter um diálogo com as autoridades norte-americanas sobre as questões comerciais.
Acordo
As projeções do FMI são um pouco mais pessimistas do que a estimativa do governo brasileiro. Neste mês, o Ministério da Fazenda elevou sua projeção para o PIB para 2,5% em 2025, contra previsão de 2,4% feita em maio.
A economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, de acordo com dados do IBGE, depois de ter expandido 3,4% em 2024. O IBGE divulgará os dados do segundo trimestre em 2 de setembro.
A atividade econômica do Brasil também enfrenta uma perspectiva de desaceleração gradual diante de uma política monetária restritiva com a taxa básica de juros Selic em 15%, patamar que deve ser mantido pelo Banco Central em sua reunião desta semana.
Projeções
As tarifas adicionais dos EUA sobre o Brasil, ainda segundo o FMI, levarão a uma desaceleração mais acentuada da atividade do que o projetado atualmente para o país. Algumas tarifas – por exemplo, as que incidem sobre produtos de aço e alumínio – já estão afetando a economia brasileira e foram levadas em conta na última previsão do Fundo, disse Petya Koeva-Brooks, vice-diretora do Departamento de Pesquisa do FMI.
— Agora, quando se trata da questão mais ampla do impacto de outras tarifas que foram apresentadas, nossa avaliação preliminar é que isso levaria a uma desaceleração mais acentuada na atividade do que a que estamos projetando atualmente — resumiu Koeva-Brooks, a jornalistas.