Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Tiroteio em Manguinhos causa pânico na Avenida Brasil

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Quinta, 31 de Julho de 2025 às 11:31, por: CdB

Dois homens foram presos e dois fuzis apreendidos; funcionários da Fiocruz precisaram se abaixar dentro de ônibus; Moradores organizam uma manifestação.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Civil faz, na manhã desta quinta-feira, uma operação na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, para cumprir mandados de prisão contra integrantes de uma quadrilha especializada em roubo de carga. Até o momento, três homens foram presos e dois fuzis apreendidos.

Tiroteio em Manguinhos causa pânico na Avenida Brasil | Operação em Manguinhos termina em confronto e correria
Operação em Manguinhos termina em confronto e correria

Durante a entrada dos agentes da 21ª DP (Bonsucesso), com apoio de delegacias distritais, especializadas e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), houve intensa correria na região do Mandela.

Funcionários da Fiocruz, que estavam chegando para trabalhar em um ônibus da empresa, precisaram ficar abaixados devido a intensa troca de tiros na Avenida Brasil. A instituição fica próxima da comunidade.

Moradores publicaram vídeos nas redes sociais denunciando que os policiais estão entrando nas casas usando spray de pimenta. Eles organizam uma manifestação na região.

De acordo com a polícia, as comunidades vizinhas no Mandela e no Jacaré são utilizadas pelos criminosos do Comando Vermelho como rotas de acesso a Manguinhos.

A Secretaria Municipal de (SMS) informou que uma clínica da família, que atende a região, suspendeu o início do funcionamento e avalia a possibilidade de abertura nas próximas horas.

A operação

A ação faz parte da Operação Torniquete, iniciada em setembro de 2024. Desde então, mais de 570 suspeitos foram presos, e cargas e veículos avaliados em cerca de R$ 40 milhões foram recuperados. O valor total bloqueado em bens e ativos ligados às quadrilhas ultrapassa R$ 70 milhões.

PM é preso com carro usado em comboio de milícia no Catiri

O policial militar Jorge André Felix foi preso na quarta-feira, suspeito de envolvimento com milicianos que atuam na comunidade do Catiri, em Bangu, Zona Oeste do Rio. Ele foi detido dirigindo um Corolla Cross branco, veículo clonado e roubado, identificado como parte de um comboio de pelo menos sete carros que circulou pela região no último sábado, vigiado por criminosos do Comando Vermelho antes de um ataque armado.

A prisão foi resultado de uma ação conjunta da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE) com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Após monitoramento das autoridades, o carro foi interceptado na Avenida Brasil, logo após sair da comunidade da Maré. Dentro do veículo, os agentes encontraram quatro pistolas e uma submetralhadora Uzi, armamentos de uso restrito das forças de segurança.

Felix, que afirmou atuar na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do 3º BPM, alegou que apenas fazia o transporte do carro e das armas para o Catiri. Mesmo assim, ele foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Escalada de violência na Zona Oeste

A prisão acontece em meio a uma intensificação dos confrontos entre milicianos e traficantes na Zona Oeste da capital. Segundo a Polícia Civil, o Corolla Cross conduzido pelo PM preso aparece em imagens captadas por um drone utilizado pelo Comando Vermelho para monitorar a comunidade do Jardim Bangu momentos antes de um ataque.

O vídeo, obtido pela inteligência da Polícia Militar, mostra os veículos do chamado “bonde” de milicianos desfilando pelas ruas do bairro. Pouco depois, traficantes abriram fogo na Rua Lichia, que estava fechada para uma festa. Tatiane Werneck, de 43 anos, foi atingida por um disparo na clavícula e precisou ser hospitalizada.

A disputa armada opõe milicianos da região a traficantes da Vila Kennedy e tem colocado moradores em situação constante de risco, com uso crescente de tecnologia por parte dos criminosos para planejar ofensivas contra os rivais.

Corregedoria investiga possível omissão

Diante da gravidade dos fatos, a Secretaria de Polícia Militar determinou que a Corregedoria da corporação ouça os PMs que estavam no Catiri no momento em que o comboio de milicianos passou pela comunidade sem qualquer abordagem por parte dos agentes.

O objetivo é apurar se houve omissão ou mesmo conivência por parte dos policiais lotados na região. A Polícia Civil ressaltou que a identificação e rastreamento do Corolla Cross foram fundamentais para avançar nas investigações sobre o grupo de narcomilicianos que atua na Zona Oeste.

A prisão de Jorge André Felix se soma a outros episódios que têm revelado a infiltração de agentes públicos em organizações criminosas no Rio, agravando ainda mais o quadro de insegurança na cidade.

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