O confronto ganhou força após a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo governo Trump, foi interpretada em Brasília como uma tentativa de coerção política e econômica.
Por Redação – de Brasília
O tradicional diário alemão ‘Süddeutsche Zeitung’, editado a partir de Munique, no Sul da Alemanha, em uma análise do atual cenário de tensões entre Brasil e Estados Unidos, na edição desta segunda-feira, aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o principal líder latino-americano a confrontar abertamente o governo norte-americano de Donald Trump. Sob o título ‘O homem que enfrenta Trump’, o artigo descreve a posição do presidente brasileiro como “firme”, diante das recentes imposições feitas pela Casa Branca.

“Há muito tempo, os EUA não interferiam tão descaradamente nos assuntos internos de um país latino-americano como agora no Brasil. Mas ninguém está desafiando Trump tão abertamente quanto o presidente Lula”, destaca um dos trechos do texto do jornal alemão, um dos mais influentes da Europa.
O confronto ganhou força após a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo governo Trump, foi interpretada em Brasília como uma tentativa de coerção política e econômica, e obrigou o Palácio do Planalto a montar uma resposta articulada para proteger setores estratégicos da economia.
Bolsonaro
A matéria do ‘Süddeutsche Zeitung’ afirma que o embate vai além das tarifas e envolve pressões diretas de Washington sobre o governo Lula. Segundo o jornal, o ex-presidente norte-americano teria apresentado uma lista de exigências ao Brasil: a flexibilização das políticas sobre metais raros, o recuo no fortalecimento do bloco dos BRICS, e até mesmo interferências diretas na política interna — como a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, além do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em meio a esse cenário, Lula tem adotado um discurso de defesa da soberania nacional, argumentando que o Brasil não aceitará ingerências externas. Nos bastidores do governo, a avaliação é de que ceder às pressões colocaria em risco a autonomia diplomática e enfraqueceria as instituições democráticas do país.
O texto ressalta, por fim, que Lula se tornou um dos últimos líderes do Sul Global com peso político suficiente para confrontar a agenda de Trump, especialmente em tempos de reorganização geopolítica.