Grupo ligado à milícia do Catiri foi localizado em Curicica; subchefe e comparsas foram presos com quatro fuzis.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Uma operação conjunta das delegacias da 14ª DP (Leblon) e da 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) resultou na prisão de três suspeitos de integrar a milícia do Catiri, na Zona Oeste do Rio, nesta terça-feira. Segundo reportagem publicada pelo diário conservador carioca O Globo, os criminosos estavam escondidos na comunidade Dois Irmãos, em Curicica, e foram localizados após denúncias e imagens de um comboio de bandidos que circularam nas redes sociais no fim de semana.

O grupo foi flagrado por um drone no último sábado, ao passar armado por uma viatura da Polícia Militar no Catiri. A gravação, que mostra ao menos sete carros e quatro PMs que nada fizeram para abordar os suspeitos, gerou repercussão e levou a Corregedoria da PM a abrir investigação sobre a conduta dos agentes.
De posse das imagens e de informações de inteligência, os agentes civis se dirigiram a uma casa na Rua William Hana, onde houve troca de tiros. Após o confronto, três milicianos se renderam: Wellington de Oliveira Francisco, o “Agitado”; Renato de Oliveira Silva, o “Coroa”; e Phablo Vieira Botelho, o “Tonelada”. No imóvel, foram apreendidos quatro fuzis.
Pouco depois, uma equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) abordou Gilmar Luiz dos Santos, o “Da 12”, identificado como subchefe da milícia local. Ele tentou fugir da comunidade, mas foi capturado. Segundo a Polícia Civil, Gilmar seria o responsável pelo arsenal e pelas munições da quadrilha.
Região de Curicica
A milícia que atua na região de Curicica é comandada, mesmo de dentro da prisão, por André Costa Barros, o “Boto”, e Claudio Cesar Rocha, o “Cara de Ferro”, ambos custodiados em Bangu 9. Fora da cadeia, o controle da organização estaria nas mãos de um criminoso conhecido como “Shrek”.
Ainda segundo a investigação, há suspeitas de que essa milícia mantenha ligações com o Comando Vermelho (CV), especialmente com integrantes do Complexo da Penha chefiados por Edgar Alves Andrade, o “Doca”.
A delegada Thaianne Moraes, que participou da operação, afirmou em entrevista ao programa jornalistico Bom Dia Rio, da TV Globo, que os presos têm papel estratégico na quadrilha. “São os responsáveis por guardar e distribuir as armas do grupo”, declarou.
O Catiri, área historicamente dominada por milicianos, enfrenta há dois anos uma disputa violenta com traficantes do CV, que invadem a comunidade vindos da Vila Kennedy. Segundo a polícia, os ataques costumam ocorrer por áreas de mata e envolvem criminosos fortemente armados.
As investigações seguem para identificar outros integrantes do grupo e apurar a suposta omissão dos PMs que presenciaram o comboio no sábado sem intervir.