Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

PMs viram réus por morte de homem rendido em São Paulo

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Quarta, 06 de Agosto de 2025 às 13:44, por: CdB

Agentes vão responder por homicídio doloso após disparos com fuzil contra um homem em situação de rua; imagens da câmera nos uniformes contradiz a versão apresentada pelos policiais.

Por Redação, com CartaCapital – de São Paulo

A Justiça de São Paulo tornou réus dois policiais acusados de matar um homem em situação de rua no Centro da cidade, quando a vítima já estava rendida. O caso aconteceu em junho.

PMs viram réus por morte de homem rendido em São Paulo | Jeferson de Souza tinha 24 anos e foi morto por PMs mesmo já estando rendido
Jeferson de Souza tinha 24 anos e foi morto por PMs mesmo já estando rendido

Os PMs Alan Wallace dos Santos Moreira e Danilo Gehring, que já estão presos, responderão por homicídio doloso, com as qualificadoras de motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.

Jeferson de Souza, de 23 anos, teve oito perfurações a bala no corpo, sendo duas na cabeça, segundo registro policial feito pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. A vítima chegou a ser socorrida e encaminhada ao pronto socorro da Santa Casa, mas não resistiu.

Na denúncia, o MP apontou que os réus realizavam patrulhamento de rotina quando resolveram abordar o homem após vê-lo descendo de uma árvore. Ao constatarem que a vítima não portava documentos, os PMs a levaram para trás de um pilar sob o Viaduto 25 de Março. Lá, um dos policiais executou o homem com três tiros de fuzil, apesar de ele estar rendido e subjugado.

Ainda de acordo com o órgão, o segundo PM aderiu ao propósito homicida de seu colega de farda e colocou a mão sobre a lente da câmera corporal no momento dos disparos para obstruir o registro da execução.

Homem, em ‘estado alterado’

Em uma versão inicial sobre o caso, os PMs sustentaram que teriam sido surpreendidos pelo homem, em ‘estado alterado’, e que ele teria tentado investir contra os agentes quando anunciaram que ele seria conduzido à delegacia para averiguação. A vítima teria dito que era procurado por estupro e agressão.

A versão, no entanto, foi desmentida pelas imagens das câmeras corporais dos agentes, as quais o MP teve acesso. A morte ocorre por volta de 21h25, quando o tenente Allan efetua três disparos de fuzil contra Jeferson, sendo que um deles atingiu o homem na cabeça. As imagens não mostram a vítima tentando tomar a arma do soldado Danilo, como disseram os policiais. Durante a abordagem, o homem chora e não demonstra resistência. Após os disparos, Danilo tenta encobrir a filmagem da câmera corporal.

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