Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

PCdoB: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

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Quinta, 17 de Janeiro de 2019 às 11:39, por: CdB

Daí a sair agredindo o PCdoB, classificá-lo como um “partido traidor” ou aliado de Bolsonaro, ou como uma agremiação trânsfuga, vai uma enorme distância. Simplesmente inaceitável esse tipo de sectarismo.

 
Por Breno Altman - de São Paulo
  Ao apoiar a candidatura de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara dos Deputados, a meu juízo, o PCdoB comete um grave erro, cuja conta maior será paga pelo próprio partido, que o desgaste já corre estrada.
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Ao longo da História, o PCdoB tem sido um dos pilares de sustentação das forças de esquerda, no país
Erra porque prioriza os espaços parlamentares sobre a disputa político-social e a construção de uma frente popular contra Bolsonaro. Erra porque normaliza o bolsonarismo como fenômeno político, ao objetivamente se aliar com o PSL nessa batalha. Erra porque se coloca sob a batuta da centro-direita nesse episódio concreto, desconsiderando que esse setor político é hoje um braço do bolsonarismo. Erra porque abala a aliança histórica com o PT, fortalecendo a via errática e antipetista proposta por Ciro Gomes. Erra porque ajuda a gerar confusão, desânimo e divisão nas fileiras progressistas, incluindo nas suas próprias fileiras.

Maledicências

Mas daí a sair agredindo o PCdoB, classificá-lo como um “partido traidor” ou aliado de Bolsonaro, ou como uma agremiação trânsfuga, vai uma enorme distância. Simplesmente inaceitável esse tipo de sectarismo e intolerância diante da posição adotada pelo PCdoB, que continua a ser um dos pilares da resistência popular. A crítica no seio da esquerda não pode ser substituída pelo ataque desordenado e desrespeitoso, como se a batalha pela Presidência da Camara dos Deputados fosse um divisor de águas irrevogável. Tampouco essa crítica pode ser alimentada por falsas informações, boatos e maledicências. Está certo que vários militantes do PCdoB respondem até mesmo a críticas ponderadas com um patriotismo de partido igualmente sectário e destrambelhado, disparando agressões inomináveis até contra históricas figuras como Roberto Requião. Mas considerar adequado esse tom de debate seria um suicídio coletivo.

Esquerda

Muito calma nessa hora. O debate obviamente é bem-vinda, todos têm que aprender a conviver com a crítica. Não podemos perder de vista, porém, que o objetivo central é construir uma frente única de resistência ao bloco bolsonarista, na qual é evidente o papel a ser cumprido pelo PCdoB. Os militantes do PT, em especial, exatamente por conta da legenda ser a principal força do campo de esquerda, devem ter muita responsabilidade e prudência nesse momento, travando a discussão com cuidado e respeito, que será longa e difícil a travessia do deserto. Breno Altman é jornalista, editor da revista Samuel.
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