Na noite passada, após dois dias de obstrução protagonizada pelos bolsonaristas, Motta retomou a cadeira para abrir a sessão plenária, em meio a um tumulto generalizado no local.
Por Redação – de Brasília
Presidente da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) disse nesta quinta-feira, dia seguinte do sequestro da Mesa Diretora da Casa por parlamentares bolsonaristas, que tomará providências em referência à possibilidade de suspender os envolvidos no golpe que, por pouco, não o retira do cargo. Ao chegar à Câmara, nesta manhã, Motta afirmou que o “diálogo prevaleceu”.

— Vamos trazer de volta o ambiente do debate e da defesa de ideias — disse, embora o ambiente em Plenário seja o pior da História do Legislativo brasileiro desde a eclosão do golpe militar de 1964, na opinião de observadores.
Acorrentados
Na noite passada, após dois dias de obstrução protagonizada pelos bolsonaristas, Motta retomou a cadeira para abrir a sessão plenária, em meio a um tumulto generalizado no local. Houve resistência por parte dos bolsonaristas que, inicialmente, não queiram deixar o presidente iniciar os trabalhos.
A sessão foi iniciada e encerrada após discurso do presidente da Câmara com um recado aos oposicionistas: “o País deve estar em primeiro lugar, e não projetos pessoais”. Os parlamentares insurretos adotaram medidas táticas para ocupar as mesas da Câmara e do Senado em protesto à prisão domiciliar de Bolsonaro.
Os deputados usaram esparadrapos para cobrir a boca e os olhos e a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) levou a filha de quatro meses para o Plenário e sentou-se na cadeira de Motta com a bebê, ao longo do dia. No Senado, alguns parlamentares chegaram a se acorrentar à mesa utilizada para comandar os trabalhos.