Moraes é relator da ação penal que apura o golpe de Estado fracassado após a eleição presidencial de 2022. A manobra, segundo as investigações, garantiria a permanência de Bolsonaro no poder mesmo depois da derrota nas urnas.
Por Redação, com WP – de Washington
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes afirmou, em entrevista ao diário norte-americano Washington Post (WP) nesta segunda-feira, que “não há a menor chance de recuar um milímetro sequer” em suas decisões no processo em curso contra o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL). Moraes deixa claro que a pressão imposta pelos Estados Unidos, que sancionou o magistrado com base na Lei Magnitsky, não tem o poder de alterar o curso dos acontecimentos.

Moraes é relator da ação penal que apura o golpe de Estado fracassado após a eleição presidencial de 2022. A manobra, segundo as investigações, garantiria a permanência de Bolsonaro no poder mesmo depois da derrota nas urnas.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), ao todo, tornou réus 34 acusados, dentre eles, 31 junto ao STF. Entre eles, Bolsonaro e aliados. O julgamento do chamado “Núcleo crucial” da denúncia, do qual faz parte o ex-presidente, está agendado para setembro.
‘Vacina’
Ao diário norte-americano, Moraes disse que o Brasil foi infectado pela “doença” da autocracia e que seria seu trabalho aplicar a “vacina”.
— Não há chance de recuarmos no que precisa ser feito. Digo isto com completa tranquilidade — acrescentou.
No alicerce de seu argumento, Moraes faz um paralelo com os EUA e relembrou os períodos ditatoriais experimentados pelo Brasil no último século.
— Entendo que para a cultura norte-americana é difícil compreender a fragilidade da democracia, porque nunca houve um golpe de Estado lá (nos Estados Unidos). Porém, o Brasil teve 20 anos de ditadura sob Getúlio Vargas, outros 20 de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é repetidamente atacado por uma doença, você desenvolve anticorpos e busca uma vacina preventiva — definiu.
Percepção
Ainda na entrevista, o ministro se colocou como defensor da legalidade da ação penal que apura a tentativa de golpe.
— Este é um processo legal. Cento e setenta e nove testemunhas já foram ouvidas — enumera.
Questionado se acumula muito poder no STF, Moraes rejeitou o argumento utilizado por seus detratores. O magistrado destacou que seus pares na Corte revisaram mais de 700 ordens proferidas por ele após apelos.
— E sabe quantas eu perdi? Nenhuma — pontuou.
‘Tarifaço’
Segundo Moraes, “falsas narrativas” envenenaram a relação entre Brasil e EUA. E evidenciou a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem trabalhado para que Washington imponha sanções ao Brasil.
— Essas falsas narrativas acabaram envenenando a relação (Brasil-EUA) – falsas narrativas baseadas em desinformação espalhada por essas pessoas nas redes sociais. Então, o que precisamos fazer, e o que o Brasil tem feito, é esclarecer as coisas — observou.
Moraes também abordou as restrições aplicadas a ele pelos Estados Unidos fundamentadas na Lei Magnitsky.
— É prazeroso passar por isso? Claro que não — ponderou o ministro. No entanto, continuou Moraes, o Brasil enfrentou forças que queriam eliminar a democracia e cabia a ele interrompê-las.
O jornal entrevistou, ainda, pessoas próximas a Moraes para traçar o perfil do ministro.
“A maioria defendeu Moraes, afirmando que suas medidas linha-dura ajudaram a preservar a democracia brasileira em um momento de ascensão do autoritarismo em todo o mundo”, conclui o WP.