Segundo Cortez, o episódio atinge o governo em um momento sensível e combina dois temas que têm grande peso para a opinião pública: corrupção e ameaça aos direitos dos aposentados.
Por Redação – de Brasília
A permanência do ministro Carlos Lupi no cargo, a cada hora que passa, fica mais frágil, enquanto ganha terreno a versão de que ele saberia da existência de um escândalo no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e não agiu para desbaratar as quadrilhas que agem contra o patrimônio do trabalhador. Além disso, o caso envolvendo fraudes INSS, revelado na semana passada, representa um obstáculo importante para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta retomar sua popularidade após um início de ano marcado por desgaste, na avaliação do cientista político Rafael Cortez em entrevista ao site de notícias Brasil de Fato (BdF), nesta segunda-feira.

Segundo Cortez, o episódio atinge o governo em um momento sensível e combina dois temas que têm grande peso para a opinião pública: corrupção e ameaça aos direitos dos aposentados.
— É um tema que gera uma proximidade, uma facilidade do eleitor perceber e formar opinião sobre o que está acontecendo; é um debate que não está longe do dia a dia do eleitor — afirmou.
Reunião
Diante dos fatos negativos para o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, nesta manhã, com o ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, para discutir o esquema de fraudes contra aposentados no INSS.
Essa é a primeira reunião do presidente sobre o tema com o chefe da CGU, órgão que iniciou as investigações que resultaram na operação Sem Desconto, deflagrada na quarta-feira da semana passada. No dia em que a operação foi deflagrada, Lula determinou a demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, aliado de Carlos Lupi.
A demissão do ministro, que tem ascendência sobre o PDT, partido da base aliada no Congresso, ainda é uma questão delicada, segundo fontes no Palácio do Planalto. Não há, por enquanto, um fato concreto contra o ministro e, sem provas, não é possível agir de forma mais severa contra o ministro.
Silêncio
Mesmo o mais assíduo crítico do governo no PDT, o ex-ministro Ciro Gomes manteve o silêncio diante das fraudes bilionárias no INSS, que respingam sobre seu aliado, o ministro Carlos Lupi. Desde a megaoperação deflagrada pela Polícia Federal, Ciro não se pronunciou sobre o caso publicamente.
Na publicação semanal do líder pedetista, ‘O Brasil Desvendado’, publicada um dia após o escândalo vir à tona, na semana passada, Gomes manteve as críticas ao Palácio do Planalto na questão dos precatórios, mas não toca no escândalo do INSS.
Documentos do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) revelam que Lupi foi alertado ainda em 2023 sobre irregularidades nos descontos de mensalidades de aposentados e pensionistas, mas demorou quase um ano para adotar providências.
Preocupação
Apesar da blindagem temporária ao ministro, o caso preocupa o Palácio do Planalto diante o desgaste para o governo. Na avaliação de parte do núcleo político do Planalto, melhor seria que Lupi pedisse para se afastar do ministério, enquanto durasse a investigação. O gesto, no entanto, é tido como “improvável”, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil.
A “batata quente”, agora, está com o presidente Lula, diante de uma acusação grave junto aos aposentados que são em massa eleitores do líder petista.
Segundo as investigações, 11 associações são suspeitas de descontar valores de mensalidades dos aposentados sem a anuência deles.