Os diplomatas disseram à mídia conservadora que qualquer diálogo direto entre os presidentes deve ser construído por meio de tratativas entre os representantes do Palácio do Planalto e da Casa Branca.
Por Redação – de Brasília
Oficiais do Ministério das Relações Exteriores disseram nesta terça-feira, a interlocutores, que uma eventual conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa extra de 50% às exportações brasileiras precisa ser cuidadosamente articulada e descartam que isso possa acontecer de imediato.

Os diplomatas disseram à mídia conservadora que qualquer diálogo direto entre os presidentes deve ser construído por meio de tratativas entre os representantes do Palácio do Planalto e da Casa Branca, evitando improvisos que possam resultar em constrangimentos.
O comportamento recente de Trump em interações públicas com outros chefes de Estado foi levado em consideração pelo Itamaraty, tendo em vista o tratamento dispensado ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante o qual Trump adotou tom agressivo e o acusou de ser “desrespeitoso” com os Estados Unidos.
Comitiva
Em outro episódio, no Salão Oval, apresentou supostos vídeos de um “genocídio branco” na África do Sul durante encontro com o presidente Cyril Ramaphosa — imagens cuja veracidade não foi comprovada. A situação foi interpretada como falta de respeito ao povo sul-africano.
A comitiva de senadores brasileiros que está em Washington, no entanto, recomenda que Lula ligue diretamente para Trump.
— Telefonema entre presidentes não se improvisa, requer uma preparação prévia. Em casos de crise como a atual, mais ainda — rebateu um diplomata sob condição de anonimato.
Segundo o diplomata, quando não há articulação sólida por trás do contato, podem ocorrer situações constrangedoras como as registradas recentemente. Outro diplomata reforçou que “ambos os presidentes já deixaram aberta a possibilidade (de conversa) em declarações à imprensa, mas improvisação e voluntarismo aqui não cabem”.