Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Incêndio no sul da França ameaça produção de vinho

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Quinta, 07 de Agosto de 2025 às 13:19, por: CdB

Autoridades locais explicam que as vinhas normalmente funcionam como barreiras contra o fogo, mas em Aude a intensidade do incêndio foi tanta que elas ainda assim queimaram.

Por Redação, com RFI – de Paris

Com a estimativa de até 900 hectares de vinhedos queimados na região de Aude, no sul da França, conforme anunciado pelo responsável regional, Christian Pouget, o incêndio que tem afetado o local nas últimas 48 horas, além de ser o mais intenso deste verão até o momento, deve causar prejuízos para a produção de vinho no país. Os bombeiros franceses consideram esta quinta-feira um dia “decisivo”, para o controle das chamas.

Incêndio no sul da França ameaça produção de vinho | Um bombeiro no combate ao incêndio florestal perto de Saint-Laurent-de-la-Cabrerisse, sul da França
Um bombeiro no combate ao incêndio florestal perto de Saint-Laurent-de-la-Cabrerisse, sul da França

Autoridades locais explicam que as vinhas normalmente funcionam como barreiras contra o fogo, mas em Aude a intensidade do incêndio foi tanta que elas ainda assim queimaram. Com isso, os agricultores, que já eram impactados pelas variações climáticas e pela crise da viticultura, aproveitaram para denunciar a falta de incentivo à atividade na região.

O presidente dos Jovens Agricultores da Occitânia, Pierre Hylari, denunciou à rádio France Info que “onde a vinha era ativa há alguns anos, a atividade não foi mantida, não conseguimos instalar jovens, e isso virou terrenos abandonados, combustível para os incêndios que hoje ocorrem em Aude e, infelizmente, muito provavelmente amanhã nos Pireneus Orientais”.

Dia “decisivo”

– O objetivo é conseguir conter o fogo – disse à agência francesa de notícias AFP o coronel Christophe Magny, chefe dos bombeiros locais, que lidera as operações. “Este é um ponto de inflexão decisivo”, acrescentou o capitão Jean-Marie Aversinq, oficial de Comunicações do Corpo de Bombeiros. O próximo passo será a contenção dos 90 quilômetros no entorno do incêndio.

Ainda ativo, o fogo diminuiu significativamente, após ter se espalhado a uma velocidade de “mil hectares por hora” nos estágios iniciais do incêndio, de acordo com Rémi Recio, representante do governo local.

Com início na tarde de terça-feira, em um vilarejo na floresta de Corbières, o maior incêndio do verão na França já devastou17 mil hectares de vegetação, segundo a Defesa Civil. Também destruiu ou danificou 36 casas e queimou cerca de 40 veículos, segundo um relatório provisório.

Em Saint-Laurent-de-la-Cabrerisse, o vilarejo mais atingido pelo fogo, uma mulher de 65 anos, que se recusou a sair de casa, foi encontrada morta na quarta-feira no imóvel devastado pelas chamas. A administração local também relatou 13 feridos: dois moradores hospitalizados, um dos quais com queimaduras graves, e 11 bombeiros, um dele com um ferimento na cabeça, segundo o ministro do Interior, Bruno Retailleau.

“Crise climática”

Este é o maior incêndio do verão na França, sem precedentes em pelo menos 50 anos ao longo da costa mediterrânea, de acordo com um banco de dados do governo que lista incêndios florestais desde 1973.

Em uma mensagem de solidariedade no X, o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou: “A crise climática está sobre nós. Se nenhuma ação for tomada rápida e coletivamente, uma catástrofe ocorrerá. É uma questão de ‘quando’, não de ‘se’.”

– A Europa está ao lado da França enquanto os piores incêndios florestais de sua história recente assolam a Europa – declarou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Até o final de julho, na metade do verão, a Agência Francesa de Segurança Civil contabilizou mais de 15 mil hectares queimados em todo o país, com nove mil incêndios ocorrendo, principalmente na costa do Mediterrâneo.

Especialistas acreditam que as mudanças climáticas causadas pelo homem estão aumentando a intensidade, a duração e a frequência do calor extremo que alimenta os incêndios florestais.

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