Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Gardênia Azul: comerciantes denunciam extorsão por traficantes

Arquivado em:
Quarta, 07 de Maio de 2025 às 12:20, por: CdB

Além das cobranças financeiras, a facção também tem imposto barreiras ao funcionamento de iniciativas oficiais.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O controle da Favela da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, está nas mãos do Comando Vermelho há cerca de um ano, após a facção ter expulsado grupos milicianos em uma disputa armada violenta e prolongada. Desde então, comerciantes da região passaram a ser vítimas de um esquema sistemático de extorsão. Segundo relatos, a cobrança imposta pelos traficantes pode chegar a R$ 10 mil mensais. Um restaurante da comunidade, além de pagar o valor exigido, estaria sendo forçado a fornecer 70 quentinhas por dia para os criminosos ligados à principal boca de fumo da área.

Gardênia Azul: comerciantes denunciam extorsão por traficantes | Gardênia Azul foi invadida pelo Comando Vermelho
Gardênia Azul foi invadida pelo Comando Vermelho

A Polícia Civil informou que não recebeu denúncias formais de comerciantes sendo extorquidos, mas confirmou que agentes da 32ª DP (Taquara) investigam a atuação de grupos criminosos na favela. A Gardênia Azul é um bairro com cerca de 20.490 habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e possui comércio diversificado, com lojas de roupas, materiais de construção, mercados e lanchonetes.

A atuação do tráfico afeta diretamente o cotidiano da população local. O preço do botijão de gás, por exemplo, chega a variar entre R$ 110 e R$ 128 dentro da comunidade, bem acima da média de R$ 97,43 registrada na cidade, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Além das cobranças financeiras, a facção também tem imposto barreiras ao funcionamento de iniciativas oficiais. Os traficantes chegaram a proibir a abertura de mais de cem quiosques construídos pela prefeitura e repassados a comerciantes que se recusaram a pagar a taxa ilegal. Na ocasião, duas pessoas foram presas, mas a prática criminosa continua. Os moradores da Gardênia também enfrentam dificuldades de mobilidade, já que veículos de transporte por aplicativo, como carros e motos, foram proibidos de circular na região.

Facção usa Gardênia como base de ataque

A Gardênia Azul é considerada estratégica pelo Comando Vermelho, que a utiliza como base para ofensivas contra Rio das Pedras, reduto tradicional da milícia. Os principais nomes por trás da operação na comunidade seriam Juan Breno Malta Rodrigues, conhecido como BMW, Carlos da Costa Neves, o Gadernal, e Edgar Alves de Andrade, o Doca — todos procurados pela polícia.

De acordo com investigações, a expansão do domínio do tráfico naquela área teria sido ordenada por Doca, figura de destaque na cúpula do Comando Vermelho e responsável pela gestão dos negócios ilegais da facção no Complexo da Penha, na Zona Norte.

Gadernal atua como supervisor das atividades criminosas na Gardênia Azul. Já BMW, ex-miliciano que migrou para o tráfico, é apontado como o executor direto do esquema de extorsão aos comerciantes locais. Além disso, ele teria sido incumbido de liderar a futura tomada de Rio das Pedras.

BMW também figura como chefe da chamada “Equipe Sombra”, um grupo de assassinos a serviço do Comando Vermelho, responsável por executar rivais durante invasões de territórios controlados por outras facções ou pela milícia.

Execuções e histórico de violência

Entre os crimes atribuídos à Equipe Sombra está o assassinato do policial Anderson Gonçalves de Oliveira, conhecido como Andinho, ocorrido em fevereiro de 2023, no bairro do Anil. Segundo depoimentos colhidos pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), o grupo recebeu R$ 50 mil para executar o agente, que era apontado como chefe de uma milícia atuante na Freguesia, região vizinha.

O mesmo grupo também teria sido responsável por uma chacina ocorrida em outubro de 2023 na Barra da Tijuca, onde três médicos foram assassinados a tiros. De acordo com as investigações, o ataque foi motivado por um erro de identificação: uma das vítimas teria sido confundida com um miliciano que comandava uma área em Rio das Pedras.

As autoridades seguem em busca dos responsáveis pelas execuções e pelo esquema de domínio territorial, que transformou a Gardênia Azul em mais um ponto central da disputa armada entre facções e milicianos no Rio de Janeiro.

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