Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

Fiocruz: jovens lideram estatísticas de violência e acidentes no Brasil

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Segunda, 25 de Agosto de 2025 às 14:03, por: CdB

Estudo mostra que 65% das mortes de pessoas entre 15 e 29 anos têm origem em agressões ou acidentes; pessoas negras e moradores do Norte e Nordeste são os mais afetados.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Um boletim divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e reportado pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo revela um retrato alarmante da mortalidade juvenil no Brasil. Utilizando dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do IBGE referentes a 2022 e 2023, o levantamento mostra que 65% das mortes de jovens entre 15 e 29 anos resultam de causas externas, como agressões e acidentes, configurando esse grupo etário como o mais exposto à violência letal.

Fiocruz: jovens lideram estatísticas de violência e acidentes no Brasil | Entidades fazem protesto contra mortes cometidas pela Polícia Militar de São Paulo, em frente ao Theatro Municipal
Entidades fazem protesto contra mortes cometidas pela Polícia Militar de São Paulo, em frente ao Theatro Municipal

A taxa de mortalidade por essas causas chega a 185,5 para cada 100 mil habitantes, acima da média da população geral (149,7). O índice dispara entre jovens de 20 a 24 anos, alcançando 218,2 óbitos por 100 mil. Agressões — principalmente por armas de fogo — e acidentes de trânsito estão entre os principais fatores de risco. No caso dos homens, que representam 84% das vítimas, as motocicletas respondem por metade das mortes em colisões.

Outro dado preocupante é a participação da ação policial, que responde por 3% dos óbitos de jovens. No recorte de gênero, a diferença é abissal: homens jovens têm taxa de mortalidade oito vezes superior à das mulheres, sendo o grupo de 20 a 24 anos o mais vulnerável, com 390 óbitos para cada 100 mil habitantes.

Violência de gênero e desigualdades

O estudo da Fiocruz também evidencia a persistência do sexismo e da desigualdade racial na mortalidade juvenil. Entre os casos de violência notificados pelo SUS, a agressão física aparece em primeiro lugar (47%), seguida pela violência psicológica (15,6%) e sexual (7,2%). As maiores vítimas proporcionais são as mulheres, sobretudo entre 15 e 19 anos, com destaque para assassinatos em casa (34,5%). Já os homens são mais atingidos nas ruas (57,6%).

O sexismo é a motivação mais frequente nos registros, representando 23,7% das ocorrências. Para jovens mulheres, as mortes violentas envolvem métodos mais diversificados, incluindo homicídios por estrangulamento.

O recorte racial é outro marcador contundente: jovens pretos e pardos somam 54,1% das vítimas. Entre os homens negros, a taxa de mortalidade por causas externas é de 227,5 a cada 100 mil habitantes —22% maior que a média dos jovens e quase o dobro do índice de brancos e amarelos. A diferença se acentua na faixa entre 15 e 19 anos, quando negros registram 161,8 mortes por 100 mil, contra 78,3 de brancos e 80,8 de amarelos.

Outro grupo vulnerável são os jovens com deficiência, que representaram 20,5% das notificações de violência no SUS, proporção maior do que a observada na população geral (17,6%). As deficiências relacionadas à saúde mental são as mais afetadas.

“A juventude tem sido o segmento bastante afetado pela violência letal. O direito à vida tem sido uma bandeira dos movimentos juvenis contemporâneos, exatamente pela necessidade de enfrentar esse quadro”, afirma André Sobrinho, coordenador da Agenda Jovem Fiocruz. Ele ressalta ainda: “É preciso seguir apontando os dados alarmantes e, mais que isso, afetar as causas que têm a ver em como a sociedade vê os jovens e a ausência de políticas públicas que garantam a proteção dessa população.”

Diferenças regionais

As disparidades regionais reforçam a gravidade da situação. Entre 20 e 24 anos, a taxa de mortalidade por violências e acidentes chega a 447 por 100 mil no Amapá e a 403 na Bahia. Estados como Distrito Federal (696,1), Espírito Santo (637,8), Mato Grosso do Sul (629,5) e Roraima (623,5) registram as maiores taxas de violência juvenil por 100 mil habitantes, bem acima da média nacional (250,6).

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