Trump disse, ainda, que as políticas comerciais do Brasil causaram “déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos”, que ameaçam a economia e a segurança nacional dos EUA, sem citar um só exemplo para embasar a afirmação.
Por Redação – de Washington
Presidente dos EUA, o magnata Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre as importações do Brasil, e citou ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) como pivô da decisão comunicada em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após análise do documento, a diplomacia brasileira considerou a atitude “ofensiva” e devolveu a missiva.
Trump afirma que a nova tarifa, que significa um aumento significativo em relação à alíquota de 10% que os EUA impuseram ao país no início de abril, também foi motivada pela “relação comercial muito injusta”, dizendo que ela tem sido “longe de ser recíproca”, embora a balança comercial pese mais para o lado norte-americano.

Trump disse, ainda, que as políticas comerciais do Brasil causaram “déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos”, que ameaçam a economia e a segurança nacional dos EUA, sem citar um só exemplo para embasar a afirmação. O superávit na balança comercial de bens com o Brasil totalizou US$ 7,4 bilhões em 2024, segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA.
O Brasil está entre os 20 maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos. Dos outros sete países mencionados nos anúncios de Trump nesta quarta-feira, apenas as Filipinas — que enviaram cerca de US$ 14,1 bilhões em mercadorias para os EUA no ano passado — figuram entre os 50 maiores parceiros comerciais.
Aliado
A carta de Trump ao presidente Lula, no entanto, supera as disputas comerciais ao impor uma nova tarifa de importação dos Estados Unidos como forma explícita de punição por questões políticas internas do Brasil. Trump já havia se manifestado sobre o Brasil em relação ao processo contra Bolsonaro, um aliado declarado do presidente dos EUA, que responde pela denúncia de liderar um golpe de Estado; além de outros delitos graves.
Trump chamou a situação de “uma vergonha internacional” na carta, que compartilhou em uma publicação no Truth Social.
Os Estados Unidos também estão iniciando uma investigação sobre possíveis práticas comerciais desleais por parte do Brasil, disse Trump em carta ao presidente brasileiro. A apuração baseia-se nas “continuadas ações do Brasil contra as atividades de comércio digital de empresas (norte-)americanas”, escreveu Trump na carta.
Aviso
Na realidade, a tomada de decisão que pegou o Palácio do Planalto de surpresa, no início desta noite, representa um aviso ao grupo BRICS, formado por países em desenvolvimento, que Trump tem apontado como uma ameaça ao status do dólar norte-americano como a principal moeda mundial.
O anúncio também impactou, de imediato, os mercados futuros no Brasil: o Ibovespa futuro com vencimento em agosto de 2025 caía 2,23%, a 138.085 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento no mesmo mês saltava 1,76%, equivalente a R$ 5,58, por volta das 17h40. O índice à vista havia fechado em queda de 1,3%, enquanto o dólar comercial encerrou a sessão desta quarta em alta de 1,06%, a R$ 5,50.
Íntegra da carta ao presidente Lula:
“Prezado Sr. Presidente:
Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro — um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. Trata-se de uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!
Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (como foi ilustrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que emitiu centenas de ordens secretas e ilegais de censura às plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com milhões de dólares em multas e expulsão do mercado brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos uma tarifa de 50% sobre qualquer produto brasileiro enviado aos Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas à tarifa mais alta.
Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil, e concluímos que precisamos nos afastar dessa relação antiga e muito injusta, marcada por políticas e barreiras tarifárias e não-tarifárias do Brasil. Nossa relação tem sido, infelizmente, muito pouco recíproca.
Déficit
Peço que compreenda que a tarifa de 50% é muito menor do que o necessário para equilibrar o campo de jogo com o seu país. E é necessário adotar essa medida para corrigir as graves injustiças do regime atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se empresas brasileiras, ou que operem no Brasil, decidirem construir ou fabricar seus produtos dentro dos Estados Unidos. E, de fato, faremos tudo o possível para aprovar isso de forma rápida, profissional e rotineira — ou seja, em questão de semanas.
Se por algum motivo o senhor decidir aumentar suas tarifas, então qualquer que seja o número que escolher aumentá-las, será acrescentado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não-tarifárias do Brasil, causando déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, por causa dos contínuos ataques do Brasil às atividades comerciais digitais das empresas americanas, bem como de outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação de Seção 301 contra o Brasil.
Se o senhor quiser abrir seus mercados comerciais, até então fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas políticas tarifárias e não-tarifárias e barreiras comerciais, nós talvez consideremos um ajuste desta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com seu país. O senhor nunca ficará desapontado com os Estados Unidos da América.
Obrigado por sua atenção a este assunto!”