Segundo Delcy Rodríguez, a Venezuela está diante de “uma das calúnias mais terríveis, para justificar a intervenção” e apoderar-se dos recursos energéticos do país.
Por Redação, com Lusa – de Caracas
O governo venezuelano advertiu Washington que um ataque à Venezuela será uma “calamidade” e um “pesadelo” para os Estados Unidos (EUA), país que enviou forças militares para o Caribe, alegando operação contra o narcotráfico.

– Seremos a sua calamidade, o seu pesadelo e isso significará também a instabilidade de todo o continente. Por isso, o apelo é à paz. Acalmem-se, senhores falcões dos Estados Unidos. Acalmem-se, tranquilizem-se, porque vão causar um grande dano ao seu próprio país – disse a vice-presidente da Venezuela.
Delcy Rodríguez falou no Estado de Carabobo, durante jornada de dois dias de alistamento voluntário da população para defender o país das alegadas ameaças dos EUA.
A dirigente destacou que os venezuelanos estão unidos, prontos e preparados para defender o país.
– Estamos prontos para defender a Venezuela em união nacional, em paz e tranquilidade, para garantir o nosso futuro. Os que estão a pensar no Norte [nos EUA], aqueles que estão a pensar numa agressão militar à Venezuela, saibam que isso vai correr muito mal – frisou.
Segundo Delcy Rodríguez, a Venezuela está diante de “uma das calúnias mais terríveis, para justificar a intervenção” e apoderar-se dos recursos energéticos do país.
– A questão do arquiteto do ‘narcoestado’ é simplesmente uma grande calúnia, mas não é nova. É um padrão histórico para intervir em países que não lhes são próximos. Intervir em países quando lhes interessa roubar os recursos materiais desses países – disse.
A vice-presidente da Venezuela recordou que em 2002, no momento em que o então presidente Hugo Chávez estava temporariamente afastado do poder, a petrolífera estatal esteve paralisada durante 62 dias, ocasionando mais de US$ 25 bilhões em perdas para o país.
– A Venezuela sabe por isso que é tão importante o alistamento dos trabalhadores, da indústria dos hidrocarbonetos. A Venezuela e seus trabalhadores têm plena consciência do que significa ter as maiores reservas de petróleo e de gás do mundo. E aqui estão a dizer: estou pronto para defender a paz, a tranquilidade – afirmou.
Segundo Delcy Rodríguez, o bloqueio económico imposto pelos EUA contra a Venezuela levou a uma migração da população, mas apesar disso o país registra 17 trimestres de recuperação.
– O que significou o bloqueio econômico: uma migração econômica e induzida. O povo venezuelano nunca tinha migrado, partiu sob o pretexto de procurar novos horizontes materiais, uma esperança económica. E já sabemos o que aconteceu. A história de como foram rejeitados, vítimas de xenofobia e de discriminação no trabalho. E o que aconteceu aos EUA é pior. Vai ser pior para eles se se atreverem a uma agressão, vai ser muito pior.
Nicolás Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou na quarta-feira os EUA de violarem o Tratado de Tlatelolco de 1967, que declarou a América Latina e o Caribe zonas livres de armas nucleares, ao enviarem forças militares para a região, incluindo navios lança-mísseis e fuzileiros.
Em 18 de agosto, Nicolás Maduro determinou o deslocamento de 4,5 milhões de milicianos por todo o país, depois de os EUA terem duplicado para US$ 50 milhões a recompensa por informações que possam conduzir à sua detenção.
No dia seguinte, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Washington está preparado para “usar todo o seu poder” para travar o “fluxo de drogas para o país”, o que inclui o envio de navios e de soldados para águas próximas da Venezuela.
Em resposta, Maduro acusou os EUA de procurarem uma “mudança de regime” de forma “terrorista e militar”.
De acordo com a CNN, os EUA começaram a enviar 4 mil fuzileiros para águas da América Latina e Caribe a fim de combater os cartéis de tráfico de drogas, além de reforçar a presença militar na região com aviões-radar e três contratorpedeiros com capacidade antimíssil.
Em 21 de agosto de 2025, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos Estados Unidos e à Venezuela para que “resolvam as diferenças por meios pacíficos”.