O presidente norte-americano receberá primeiro os dois líderes separadamente e assinará um acordo bilateral com cada um entre os Estados Unidos e seu país.
Por Redação, com RFI – de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta sexta-feira na Casa Branca os dirigentes da Armênia e do Azerbaijão, duas ex-repúblicas soviéticas envolvidas há décadas em um conflito territorial. Nomeada por ele de “cúpula de paz histórica”, a mediação do norte-americano reforça suas aspirações de líder pacificador internacional.

– Essas duas nações estiveram em guerra por muitos anos, resultando em milhares de mortos. Muitos líderes tentaram pôr fim à guerra, sem sucesso, até agora – escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social, atribuindo o sucesso a “TRUMP”. Ele fez o anúncio na quinta-feira, detalhando a realização de uma “cerimônia oficial de assinatura da paz” com a participação do presidente azeri, Ilham Aliyev, e do primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian.
O presidente norte-americano receberá primeiro os dois líderes separadamente e assinará um acordo bilateral com cada um entre os Estados Unidos e seu país. A assinatura de um acordo tripartite está marcada para às 16h15, horário local (17h15 de Brasília).
No início deste ano, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, visitou a capital do Azerbaijão, Baku.
O acordo a ser selado é um sucesso diplomático de Donald Trump, que não esconde o desejo de ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz.
Segundo a rede CBS, o texto concede aos Estados Unidos direitos de construção sobre um corredor de 43 km em território armênio que será chamado “Caminho Trump para a Paz e a Prosperidade Internacional” ou TRIPP (na sigla em inglês).
Armênia e Azerbaijão, duas antigas repúblicas soviéticas do Cáucaso, envolveram-se em várias guerras desde o desmembramento da União Soviética pelo controle de Karabakh, uma região azeri, então habitada por maioria armênia.
O Azerbaijão assumiu o controle total da área em setembro de 2023, após uma ofensiva relâmpago contra os separatistas armênios de Karabakh.
Yerevan confirmou que o primeiro-ministro armênio terá uma conversa com o presidente norte-americano “para fortalecer a parceria estratégica entre Armênia e Estados Unidos”. Ele acrescentou que uma “reunião tripartite (…) com Donald Trump e o presidente azeri [também] ocorrerá para contribuir para a paz, o desenvolvimento e a cooperação econômica na região”.
Aspiração de Trump pelo Nobel da Paz
Em junho, o Paquistão anunciou que indicaria o nome do presidente dos Estados Unidos para o Prêmio Nobel da Paz. Islamabad elogiou o papel do republicano na recente resolução do conflito entre o Paquistão e a vizinha Índia. Os Estados Unidos mediaram um cessar-fogo anunciado por Trump em maio, que pôs fim a quatro dias de confrontos entre as duas potências nucleares.
– Já passou da hora de Donald Trump receber o Prêmio Nobel da Paz – declarou sua porta-voz, Karoline Leavitt, em 31 de julho, durante uma coletiva de imprensa de rotina, provocando reações incrédulas e irônicas dos oponentes políticos do republicano.
Ela destacou que, desde seu retorno ao poder em 20 de janeiro, o republicano presidiu a conclusão de “um cessar-fogo ou acordo de paz por mês”, citando como exemplos suas mediações entre Índia e Paquistão, Camboja e Tailândia, Egito e Etiópia, Ruanda e República Democrática do Congo, Sérvia e Kosovo.
Israel e Camboja também anunciaram recentemente suas indicações para Donald Trump.
Embora algumas autoridades apoiem a indicação do nome do presidente norte-americano para o prestigiado prêmio internacional, outras a criticam fortemente devido ao apoio dado por Trump a Israel na guerra contra o Hamas em Gaza.