A IA já faz parte da rotina digital de milhões de espanhóis, mas sua adoção em setores sensíveis, como saúde, mobilidade ou até mesmo o gerenciamento de situações críticas.
Por Redação, com Europa Press – de Madri
60% dos espanhóis já usaram alguma ferramenta ou serviço baseado em inteligência artificial (IA), seja por meio de assistentes virtuais, recomendações em plataformas digitais ou sistemas de navegação inteligentes, apesar de apenas 22% confiarem nas decisões que a IA toma por conta própria em situações críticas.

A IA já faz parte da rotina digital de milhões de espanhóis, mas sua adoção em setores sensíveis, como saúde, mobilidade ou até mesmo o gerenciamento de situações críticas, ainda é uma questão de dúvida.
Nesse sentido, 60% dos espanhóis afirmam ter usado alguma ferramenta de IA, e até 70% consideram que ela facilitou suas vidas, principalmente porque lhes permite economizar tempo, encontrar informações mais rapidamente e realizar tarefas cotidianas com mais eficiência, de acordo com a pesquisa realizada pela Netquest e encomendada pela DE-CIX.
Em contrapartida, o estudo, realizado com uma amostra de mil pessoas com idade entre 18 e 65 anos na Espanha, mostra que apenas 22% confiam nas decisões que a IA toma sozinha em situações críticas, e a grande maioria acredita que essa tecnologia não tem empatia, intuição e adaptabilidade, por isso deve ser sempre supervisionada por humanos.
O estudo afirma que uma das áreas em que a IA é mais esperada é a de saúde, onde a população espanhola destaca sua capacidade de melhorar os diagnósticos (34%), acelerar a pesquisa médica (41%) e monitorar a saúde em tempo real (42%).
No entanto, 56% não se sentem confortáveis com seu uso direto em diagnósticos ou tratamentos, e o relatório concluiu que isso indica uma clara desconfiança quando a tecnologia substitui o julgamento humano.
Por outro lado, no caso dos veículos autônomos, a situação é semelhante, com 23% tendo uma opinião positiva, enquanto quase metade (49%) tem dúvidas sobre sua segurança. Os principais temores incluem falhas técnicas (58%), ataques cibernéticos (40%) e incerteza sobre a responsabilidade em caso de acidente (36%).
Ética, privacidade e um desafio de infraestrutura
O estudo também sugere que a IA apresenta desafios sociais significativos, com 77% dos entrevistados expressando preocupações sobre suas implicações éticas, especialmente em relação à privacidade, à transparência e à possibilidade de preconceito ou discriminação.
Da mesma forma, dois em cada três acreditam que a atual infraestrutura de Internet na Espanha não é suficiente para dar suporte ao crescimento da IA, especialmente em contextos de alta demanda, portanto, o relatório destaca a necessidade de uma infraestrutura digital robusta e segura, com a menor latência possível, para permitir a implantação “ética e confiável” da IA.
Os resultados mostram um equilíbrio entre o uso “crescente” de ferramentas baseadas em IA e a “demanda social” de que seu desenvolvimento e aplicação sejam responsáveis, já que a desconfiança que persiste em áreas como saúde ou transporte mostra que, para a sociedade espanhola, a tecnologia deve complementar e nunca substituir o julgamento humano em decisões essenciais.
Assim, o desenvolvimento da IA envolve desafios técnicos, éticos e regulatórios, como a criação de estruturas “seguras e transparentes”, o estabelecimento de uma infraestrutura digital resiliente e a promoção do diálogo entre os atores relevantes.
“O gerenciamento proativo desses fatores fortalece a capacidade tecnológica, impulsiona a inovação e permite respostas às demandas sociais e ambientais, ao mesmo tempo em que preserva os direitos e a confiança”, concluiu o relatório.