Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2025

Em quatro décadas, Brasil perde área natural equivalente à Bolívia

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Quarta, 13 de Agosto de 2025 às 14:45, por: CdB

A formação florestal foi o tipo de cobertura nativa mais impactado, com redução de 62,8 milhões de hectares, ou 15% do total, extensão comparável à da Ucrânia.

Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília

O Brasil perdeu, em média, 2,9 milhões de hectares de áreas naturais por ano entre 1985 e 2024, segundo dados divulgados pelo MapBiomas em sua nova coleção, que marca os 10 anos do projeto. No total, segundo reportagem do portal UOL, foram 111,7 milhões de hectares suprimidos — o equivalente a 13% do território nacional, área superior à da Bolívia, que tem cerca de 109,9 milhões de hectares.

Em quatro décadas, Brasil perde área natural equivalente à Bolívia | Vista aérea de área desmatada para plantio de soja às margens da rodovia Transamazônica, próxima à Terra Indígena Sawré Bap I?n, do povo Munduruku
Vista aérea de área desmatada para plantio de soja às margens da rodovia Transamazônica, próxima à Terra Indígena Sawré Bap I?n, do povo Munduruku

A formação florestal foi o tipo de cobertura nativa mais impactado, com redução de 62,8 milhões de hectares, ou 15% do total, extensão comparável à da Ucrânia. O Cerrado também sofreu perdas expressivas: 37,4 milhões de hectares de formação savânica desapareceram, correspondendo a 25% de sua área original, número maior que todo o território da Alemanha.

Expansão da agropecuária

O avanço da agropecuária foi o principal motor dessas mudanças. A área de pastagem cresceu 68%, somando mais 62,7 milhões de hectares, enquanto a agricultura teve expansão de 236%, ocupando mais 44 milhões de hectares. Em 1985, 47% dos municípios brasileiros tinham a agropecuária como principal uso do solo; em 2024, esse percentual subiu para 59%.

Para o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, a intensidade das transformações nos últimos 40 anos supera a de todo o período anterior desde a colonização portuguesa. “O Brasil converteu 60% de toda a área ocupada até 1985. Os 40% restantes dessa conversão ocorreram em apenas quatro décadas, de 1985 a 2024”, afirmou.

Picos de desmatamento e mudanças por década

O auge das alterações ocorreu entre 1995 e 2004, quando o desmatamento atingiu recordes, segundo a coordenadora científica do MapBiomas e pesquisadora do Ipam, Julia Shimbo.

De 1985 a 1994, o país ainda mantinha 80% do território coberto por áreas naturais, mas perdeu 36,5 milhões de hectares, em grande parte convertidos em pastagens. No mesmo período, 30% dos municípios registraram forte expansão urbana.

Entre 1995 e 2004, o avanço da agropecuária foi acelerado, com conversão de 44,8 milhões de hectares de florestas para uso rural, sendo 21,1 milhões apenas na Amazônia, consolidando o chamado “arco do desmatamento”.

De 2005 a 2014, houve redução no ritmo do desmatamento e intensificação agrícola, com 17,6 milhões de hectares convertidos. No Cerrado, a região conhecida como Matopiba concentrou 80% da supressão de vegetação nativa para agricultura.

De 2015 a 2024, o cenário foi marcado por degradação ambiental e efeitos climáticos severos. O Pampa perdeu 1,3 milhão de hectares de campos, a agricultura ultrapassou as áreas campestres, e a fronteira agrícola avançou para a região conhecida como Amacro, formada por Amazonas, Acre e Rondônia. O Pantanal registrou o menor ciclo de inundações de sua história, enquanto a Amazônia enfrentou secas extremas.

Impactos nos biomas

A Amazônia perdeu 52,1 milhões de hectares desde 1985, o Cerrado 40,5 milhões, e o Pampa viu 30% de sua vegetação nativa desaparecer. No Pantanal, a superfície de água encolheu drasticamente: de 24% do bioma, em 1985, para apenas 3% em 2024.

Outro dado do levantamento mostra o crescimento acelerado das usinas fotovoltaicas no Brasil. Desde 2016, a área ocupada por elas saltou de 822 hectares para 35,3 mil em 2024, concentrando-se principalmente na Caatinga (62%) e no Cerrado (32%). Minas Gerais lidera, com 37% de toda a área mapeada.

O MapBiomas é uma iniciativa colaborativa que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia para monitorar mudanças no uso e cobertura da terra, superfície de água e cicatrizes de fogo no país, com dados disponíveis desde 1985. A nova coleção está disponível gratuitamente para consulta aqui.

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