Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2025

A crise brasileira diante de um Parlamento anão

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Segunda, 30 de Junho de 2025 às 13:22, por: CdB

O Congresso virou uma engrenagem emperrada que, em vez de colaborar, se especializou em travar, distorcer e empurrar o País para trás.

Por René Ruschel – de Brasília

O Brasil vive a antessala de uma nova crise política. Alimentada a golpes de fake news, terrorismo verbal e da velha máquina de difamação digital, que tem no WhatsApp e nos resquícios do infame gabinete do ódio os seus instrumentos mais eficazes, a oposição prepara o terreno para o caos. Não há projeto de país, há apenas o desejo insaciável de derrubar, deslegitimar, destruir.

A crise brasileira diante de um Parlamento anão | Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional

No epicentro da crise, um Congresso Nacional que talvez nunca tenha sido tão fraco, tão medíocre, tão submisso a interesses mesquinhos. É um Parlamento desfigurado, que abriga não representantes do povo, mas uma fauna exótica composta por ex-policiais, militares saudosos da farda, pastores travestidos de legisladores e os velhos capitães do mato do capital, todos, sem exceção, mais interessados em fatias do orçamento do que no bem-estar da população.

Não se governa com base fisiológica. Lula, eleito por uma frente ampla para impedir o retrocesso autoritário, viu-se obrigado a montar um ministério de convivência forçada, quase um zoológico político. Ninguém de bom senso acreditava que essa base sustentaria o governo com coerência ou compromisso republicano.

A fidelidade ali tem preço, endereço e CPF. O que move grande parte desses parlamentares é o apetite insaciável pelas verbas públicas travestidas de emendas.

Ontem foi o orçamento secreto de Lira a sustentar Bolsonaro; hoje são as emendas de bancada, distribuídas com o mesmo descontrole, sem critério, sem transparência, sem pudor.

Casa da mãe Joana

O Parlamento virou a casa da mãe Joana, sem comando e sem vergonha. Enquanto cobra austeridade do governo, aumenta o próprio número de deputados.

Enquanto diz defender o contribuinte, sabota medidas sociais. Enquanto posa de guardião da democracia, conspira por dentro com setores que jamais aceitaram o resultado das urnas.

Mesmo cercado por uma base volúvel e um Congresso sabotador, o governo conseguiu avançar. A economia deu sinais claros de recuperação, o desemprego recuou, a renda real cresceu e o Brasil retomou seu protagonismo internacional.

Evidente que ainda há enormes desafios pela frente e ninguém sensato nega isso. Mas o caminho é de reconstrução. O entrave, no entanto, está no Parlamento. Uma engrenagem emperrada que, em vez de colaborar, se especializou em travar, distorcer e empurrar o País para trás.

A crise não é só política. É ética, institucional e moral. E talvez o pior dos nossos problemas seja ter um Congresso tão pequeno, diante de um Brasil que precisa pensar grande.

 

René Ruschel, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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